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Ciclismo

Paranaenses tentam retomada pós-doping

Trio do estado se prepara para voltar às provas e já é cobiçados por outras equipes do país

Mesma rotina: Cléberson Weber, um dos três paranaenses punidos no ano passado, se prepara à beira da estrada para mais uma jornada de treinos | Cesar Machado/Valepress
Mesma rotina: Cléberson Weber, um dos três paranaenses punidos no ano passado, se prepara à beira da estrada para mais uma jornada de treinos (Foto: Cesar Machado/Valepress)

Há um ano, o ciclismo paranaense virou o centro das atenções por três casos de doping. Os exames de Alex Arseno, Alcides Vieira e Clé­berson Weber, da equipe DataRo, deram positivo para eritropoietina (EPO), hormônio que melhora a performance em provas de longa distância e resistência.

Foram suspensos em outubro por dois anos. Agora, contam os dias para o fim da pena, em abril, e a re­­construção da carreira. O trio deve voltar a competir, visto que há meses eles têm propostas de importantes equipes. "São três grandes atletas, não ficarão sem equipe", afirma Kid, técnico do time de Pin­­damo­­nhangaba, líder do ran­­king nacional.Arseno, campeão brasileiro de 2009, segue treinando e aceitou o convite para competir por Pinda ao término da punição. Ele e Weber po­­deriam, inclusive, voltar a pedalar pela DataRo. O time su­­perou o choque de ter seu nome ligado ao doping, conta o diretor Rogério Fagundes. "Não tivemos nenhum problema. Nossos patrocinadores entenderam que foi uma situação particular, que nada tem a ver com a filosofia da equipe. Um erro não pode deixar uma má­­goa. Tanto o Alcides quanto o Cléberson são atletas espetaculares. São, também, caros, mas se quiserem voltar a trabalhar conosco, serão bem-vindos", afirmou.

Cléberson Weber, de Cascavel, planeja aceitar. "Foi um erro. Quando recebi a notificação, quis parar. Mas a família e amigos me incentivaram a seguir." Foram sete me­­ses sem pedalar, se dedicando a um comércio em sociedade com o irmão. Depois, passou a dividir-se entre a loja e os treinos.

Agora, aos 26 anos, pre­­para-se para voltar. Não sem certa dificuldade: sem equipe, cobre os custos com equipamentos, suplementação ali­­men­tar e treinamentos com o lucro da loja. "Minha rotina é co­­mo se eu estivesse competindo, trei­­no com o Alcides [Vieira], o Nilceu [dos Santos, o The Flash, da equipe de Pindamonhangaba]. São de 80 km a 200 km por dia. Muita gente entendeu o que aconteceu, incentiva. Agora é manter a cabeça erguida e não cometer os mesmos erros", diz o ciclista.

No caso de Alcides Vieira, a suspensão foi o tipo de "mal que vem para o bem", ele mesmo diz. "Quan­­do recebi o resultado do exame, pensava no que ia fazer. Não fiquei em depressão, nem nada. Pensava em virar essa jogada. Voltei a estudar por um tempo. Não me apavorei", relembra.

Sem competir, Vieira, 28 anos, começou a participar da elaboração de provas. Afirma estar indeciso sobre o futuro a partir de abril de 2011. O cascavelense di­­vide-se entre a saudade das disputas e a satisfação em organizar competições.

Atualmente, é o presidente da Li­­ga de Ciclismo do Oeste do Pa­­raná. "Auxiliar nos bastidores era algo que já queria, mas, competindo, não tinha tempo. "Fico feliz porque as pessoas têm gostado, elogiam. Como fui ciclista, sei o que é preciso para uma boa prova. Tento fazer como se fosse para eu disputar", fala.

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