
Punido no Uruguai por uso de cocaína, o atacante rubro-negro Santiago "Morro" García está ameaçado de não entrar mais em campo neste Brasileiro.
Com a divulgação da pena do atleta no país vizinho suspensão por dois anos anunciada ontem pelo diário Ovación , o advogado do Atlético, Domingos Moro, deixou subentendido que, por cautela, vai sugerir que a maior contratação do clube (cerca de R$ 7 milhões) não seja mais utilizada.
Para o advogado, não há possibilidade de o Furacão ser punido por ter utilizado o jogador contra o Vasco, na quinta-feira, porque ainda não havia uma definição da substância usada inicialmente havia uma vaga definição de "droga social". Nem mesmo a sanção era certa.
No entanto, como agora a notícia veio a público com detalhes, por mais que o castigo só seja aplicado, por enquanto, ao território uruguaio, existiria algum risco de utilizar o jogador (em tese, na lógica jurídica, perde-se a boa-fé). Seria então possível enquadrar o clube no artigo 214 no Código Brasileira de Justiça Desportiva (CBJD).
A norma atesta sobre "incluir atleta que não tenha condição legal de participar de partida". O desdobramento disso poderia ser a perda do dobro do número de pontos em disputa para o caso de vitória e multa.
Mas a opinião de Moro não é unânime nem mesmo no departamento jurídico do Atlético. Procurado pela reportagem, o supervisor jurídico do clube, Gil Justen, não atendeu a reportagem. O profissional viajará hoje para o Uruguai para saber mais sobre o caso.
No entanto, pelo que foi apurado, o clube acredita que só haveria risco quando a Confederação Brasileira de Futebol for avisada do doping e notificar o Atlético, via Federação Paranaense de Futebol.
As autoridades uruguaias têm a obrigação de notificar a situação à Fifa segundo regulamento da própria. A entidade suíça, em tese, seria a responsável por repassar as informações à CBF.
Diante disso, Morro foi relacionado para a partida de amanhã, às 16 horas, contra o Botafogo, no Engenhão. Orientado a não falar sobre o problema com a imprensa.
O doping ocorreu na final do Campeonato Uruguaio 2010-2011, no dia 12/6, quando o atleta de 20 anos ainda defendia o Nacional de Montevidéu. Uma semana depois da partida decisiva contra o Defensor, García acertou sua vinda para a Baixada.
Como não apresentou defesa e nem pediu a análise da amostra B, o camisa 20 da Baixada recebeu a pena dentro do seu país.
De acordo com o coordenador do departamento médico do Furacão, Edilson Thiele, os testes que detectariam a presença da substância proibida não são convencionalmente feitos na chegada de novos atletas. "Este não é um exame de rotina para todos os jogadores contratados em qualquer clube de futebol, não só no Atlético. Só se faz quando há uma suspeita."
Com 11 partidas pelo Rubro-Negro e apenas dois gols marcados, o jogador já estava sofrendo com a adaptação no Brasil, o que tinha melhorado com a vinda da sua família a cerca de 50 dias. Porém, com a divulgação do doping, segundo a reportagem apurou, García ficou muito abalado tendo chorado muito na véspera do confronto com o Vasco.




