
O Atletiba, pelo menos por enquanto, não será de apenas uma torcida. Foi o que ficou decidido ontem pela manhã, em reunião entre a Polícia Militar (PM), Ministério Público (MP) e integrantes das principais torcidas organizadas de Atlético e Coritiba a proposta havia sido encampada por uniformizada e diretoria do Rubro-Negro. "Neste momento não resolveria. O problema está fora do estádio", diz o Coronel Jorge Costa Filho, comandante do policiamento da capital.
O encontro, marcado ainda antes do clássico de domingo passado, ocorreu no Quartel do Comando Geral da corporação, no centro de Curitiba. A intensão era avaliar o sistema de segurança usado na principal partida do futebol paranaense. Porém, devido aos diversos incidentes ocorridos na cidade (um torcedor atropelado está internado em estado gravíssimo e 28 ônibus foram depredados), a reunião se transformou em uma mesa-redonda em busca de soluções contra a violência. A PM admite rever a estratégia atual. "Não adianta só dar advertência", diz o coronel.
A ideia é fechar o cerco contra os vândalos. A partir da próxima semana começará a identificação dos torcedores. Ofícios serão encaminhados aos comandos (subdivisões das uniformizadas) para que ajudem na elaboração de uma listagem com os nomes dos baderneiros. "Sabemos que rola uma lei do silêncio. Mas se ninguém falar nada, sobrará para os líderes do comando", avisa Júlio Sobota, o Julião, vereador de Curitiba e presidente da Torcida Os Fanáticos.
Haverá também uma triagem nos acessos aos ônibus especiais em dias de jogos veículos exclusivos que sairão de determinados pontos da cidade (terminais), sem paradas, até a estação mais próxima ao estádio, escoltados pela polícia. O valor da passagem continuará sendo cobrado.
"Só embarcará quem tiver ingresso para o jogo, apresentar a carteirinha de sócio da organizada ou de sócio do clube", explica o Major Arildo Luís Dias. "Aquele que optar por não participar do comboio, é porque está pensando em outra coisa. Aí se saberá quem quer torcer e quem quer bagunçar", emenda Luiz Fernando Corrêa, o Papagaio, presidente da Império Alviverde.
Para fechar o pacote antiviolência, a PM irá reprimir o vandalismo contra ônibus, estações-tubo e terminais. "Estamos identificando junto à Urbs (ligada a prefeitura municipal) os locais de maior depredação", afirma Costa, prometendo repressão aos maus torcedores. "Se houver tumulto, todos serão detidos momentaneamente, identificados e qualificados. Não interessa se ficarão 10 ou 15 horas no quartel. Na sequência encaminharemos ao Poder Judiciário e ao Ministério Público", acrescenta.
O coronel pede ainda a colaboração da sociedade. "É preciso denunciar", diz. "Queremos que o cidadão comum, de bem, que está indo para o jogo, quando identificar algo errado, filme e passe para um canal de televisão ou para a Polícia Militar. Assim, poderemos saber quem é a pessoa", explica.




