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Redação do Diário Olé, da Argentina.
Redação do Diário Olé, da Argentina.| Foto: Daniel Malucelli/Gazeta do Povo

Polêmico, irônico e influente. Marcas registradas do jornal Olé, o maior diário esportivo da América do Sul. A Gazeta do Povo visitou o folclórico veículo, que pertence ao gigante Clarín, jornal de maior circulação da Argentina.

O periódico trata a cobertura do jogo entre Boca Juniors e Athletico, nesta quinta-feira (9), na La Bombonera, última rodada da fase de grupos da Copa Libertadores 2019, como prioridade jornalística da semana.

A redação do Olé é bem setorizada e fica integrada ao prédio do Grupo Clarín. Cerca de 50 jornalistas trabalham em setores bem divididos. A produção do jornal impresso é a prioridade, seguido pelo conteúdo digital. Por fim, a produção audiovisual fica em segundo plano. A circulação diária gira em torno de 70 mil exemplares.

Existe também uma setorização para cada clube com foco nas duas maiores torcidas do país. Em uma ala Boca. Na outra River Plate - que também será rival do Furacão, só que na final da Recopa Sul-Americana. Os dois rivais contam com a produção do maior número de jornalistas e dos mais experientes.

Com o fanatismos dos argentinos pelo futebol, os outros esportes como automobilismo, basquete e rugby ganham cobertura discreta. Mas apesar das brincadeiras e trocadilhos nas publicações, o trabalho na redação é levado a sério como em qualquer outra redação.

Mas a crise que assola a economia da Argentina também atinge a empresa. O Grupo Clarín vem de seguidas demissões em massa de funcionários – no último mês o veículo demitiu 56 jornalistas, sendo 10 deles do Olé.

Diante das demissões, ex-funcionários estenderam uma faixa de protesto em frente o jornal. “Não às demissões no Clarín e no Olé”.

O periódico tem 23 anos de existência e se notabilizou por manchetes criativas e provocativas, sobretudo quando o assunto é o futebol brasileiro, como a capa que festejou o ouro olímpico da Argentina em 2008, lembrando que a façanha jamais foi obtida pelo Brasil até então. Ou a capa icônica de Felipão com as mãos mostrando o número sete para ilustrar o 7 a 1 da Alemanha na Copa de 2014.

O Olé também já foi acusado de racismo/machismo, por parte dos brasileiros, por causa da edição de 5 de setembro de 2001. Na apresentação da partida válida pelas eliminatórias da Copa de 2002 em Buenos Aires (vencida pelos argentinos por 2 a 1), o jornal publicou a foto de uma mulher negra, usando um biquíni com as cores do Brasil, ao lado da frase: "Já tem programa para hoje à noite?"

Não serviu de lição. Ao falar da classificação dos hermanos à Copa do Brasil, em 2014, o tabloide manchetou: "Garotas, aí vamos nós", em clara alusão ao turismo sexual. "Comecem a guardar dinheiro que no ano que vem disputaremos a Copa no Brasil”, trazia a chamada para festejar a vaga ao Mundial.

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