
O histórico recente potencializa o receio para o maior jogo local. Atlético, Coritiba e a Polícia Militar recorreram ontem ao mesmo adjetivo para definir o clima que antecede ao próximo Atletiba: tenso. E a resposta ao temor será o rigor. O tradicional reforço na segurança terá mudanças no domingo.
O clássico volta ao estádio rubro-negro após a chuva de bombas do ano passado. Será o primeiro encontro entre as equipes depois da morte de um torcedor atleticano no confronto de 2009. Será também o maior teste de segurança desde o pior episódio de vandalismo do futebol paranaense, em dezembro, no Couto Pereira.
Motivos suficientes para novas e reeditadas medidas preventivas serem adotadas para coibir incidentes. O comandante do Policiamento da Capital (CPC), coronel Jorge Costa Filho, antecipou ontem algumas das estratégias. Será proibida a entrada dos torcedores usando qualquer peça de roupa e bandeiras com referência às torcidas organizadas e respectivos comandos, além do veto a instrumentos de baterias.
Nenhum torcedor uniformizado poderá participar da escolta entre o Couto Pereira e a Arena e "quem criar qualquer problema será encaminhado imediatamente à delegacia por desobediência", alertou o coronel.
Após a invasão e ataque aos policiais no Alto da Glória, a tradicional reunião entre polícia e torcidas às vésperas de clássicos foi abolida. "Pela falta de postura que houve, não teremos mais esse tipo de procedimento. Torcedores serão tratados como torcedores e os marginais com o rigor da lei. Não queremos nenhum tipo de incidente e contamos com a denúncia da comunidade para reprimirmos os criminosos", acrescentou Costa Filho.
A PM preferiu não informar o efetivo para domingo. "Terá policiamento de monte", resumiu o coronel. Entre os recursos da polícia estará a reutilização de cães de guarda, uma medida que havia sido suspensa nos estádios. Eles ficarão em campo e na divisão das torcidas, duplicada na Arena. Será o primeiro clássico após a inauguração do setor da Brasílio Itiberê, exigindo duas áreas de isolamento.
O serviço reservado da polícia terá homens filmando as torcidas do gramado. No Atlético, oito câmeras foram instaladas no novo espaço e no setor vistante para reforçar o monitoramento.
"A preocupação aumentou após tudo que aconteceu no Coritiba. Além dos policiais, vamos contratar 150 seguranças. Destes, 30 mulheres, pois no último jogo a maioria das bombas entrou com as torcedoras. Vamos intensificar e filmar as revistas na entrada", explicou o responsável pela segurança do Joaquim Américo, Jakson Barreto.
A intensa troca de rojões no último clássico da Baixada rendeu a perda de um mando de campo para cada clube. Outras medidas preventivas do mandante podem ser divulgadas nos próximos dias, após contato com a polícia.
Morosidade da Justiça deixa PM de mãos atadas
Se a rápida prisão de boa parte dos envolvidos no tumulto do Couto Pereira, em dezembro, é motivo de orgulho para a polícia e para a Secretaria de Segurança Pública do estado, a demora na punição deixa as autoridades de mãos atadas. De acordo com o comandante do Policiamento da Capital (CPC), coronel Jorge Costa Filho, a polícia deu uma resposta à altura no episódio, mas não pode evitar que parte dos indiciados esteja no clássico.
"Fizemos a nossa parte. Sem condenação, ainda não são culpados para a Justiça. Fica complicado impedi-los de entrar sem uma ordem judicial", afirmou. A maioria dos processos está em fase inicial; alguns, nem começaram.
Segundo a secretaria, quatro vândalos ainda estariam presos, entre eles o vice-presidente da Império Alviverde Reimacler Alan Graboski. Domingo, na reabertura do Couto, a segurança tentou prevenir a entrada dos indiciados, mas tinha apenas o nome dos envolvidos.



