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Federação

Polícia vê maracutaia e jogos manipulados

Secretário da segurança diz que há indícios de fraude em campo

A varredura que o Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) está fazendo na Federação Paranaense de Futebol (FPF) pode trazer à tona novamente o "Caso Bruxo" – esquema de corrupção na arbitragem local revelado há pouco mais de dois anos.

A investigação policial – que já culminou na prisão do ex-presidente da entidade, Onaireves Moura, e de outras oito pessoas na terça-feira, com a suspeita de desviar dinheiro da instituição – aponta indícios de que pelo menos um time do interior do estado tenha se beneficiado dentro de campo de depósitos irregulares feitos nas contas da Comissão Fiscalizadora de Arrecadação (Comfiar) e do Colégio Técnico de Futebol Pinheirão.

As duas empresas foram idealizadas por Moura (com a anuência da maioria dos clubes) para driblar o bloqueio de receitas por parte dos credores da FPF.

As suspeitas recaem, por enquanto, sobre o Galo Maringá, que em 2005 conquistou o título da Divisão de Acesso batendo o Toledo na final. A polícia investiga se o dinheiro depositado nas contas paralelas da Federação, algo em torno de R$ 200 mil, foi usado para facilitar o caminho do Alvinegro rumo à Primeira Divisão do Estadual. No ano seguinte, após a fusão com a equipe de Campo Mourão, o clube passou a se chamar Adap Galo.

"A maracutaia na Federação pode ter alcançado outras situações, como a venda de ascensão de clubes da Segunda para a Primeira Divisão do Paranaense. Mas estamos investigando ainda", afirma o secretário estadual da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, em entrevista à Rádio Band News. "Já ficou comprovado o depósito do dinheiro, agora iremos investigar para qual finalidade. As suspeitas são sérias e muito fortes de manipulação de resultados", acrescentou ele, à Agência Estado.

Documentos apreendidos na sede do clube maringaense, ainda na terça-feira, chegaram ontem à noite a Curitiba. "É muito grave por se tratar de vários depósitos. Os indícios são bastante fortes e consistentes. Não se sabe, contudo, se a questão está realmente vinculada ao caso dos bruxos. Iremos cruzar as informações a partir de agora", comenta Sérgio Sirino, delegado responsável pelo inquérito.

Presidente do Galo Maringá à época, o empresário Marcos Falleiro se defende das acusações. De acordo com o dirigente, que atualmente ocupa a presidência do Conselho Deliberativo no organograma alvinegro, as aplicações estão relacionadas aos cinco jogos do Paraná, em Maringá, contra os times de São Paulo, entre 2005 e 2006.

"Somente na partida com o Santos, a renda foi de R$ 490 mil. Deste montante, em torno de 20% – referente a despesas com a arbitragem e o INSS –, foram depositados nas contas indicadas pela Federação", explica ele. "Era algo rotineiro, que só despertou a atenção da polícia por causa dos altos valores. Mas qualquer alusão a manipulação de resultado é um absurdo, uma piada. Inclusive, Fomos prejudicados pela arbitragem naquele campeonato", sustenta o cartola, abrindo mão dos sigilos bancários e telefônicos para comprovar a inocência do Galo.

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