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Tênis

Austrália reforça ‘maturidade’

Sem espaço para novatos, Grand Slam põe resistência de quase trintões à prova

Rafael Nadal, 27 anos, é o último tenista a vencer um grande torneio antes de completar 20 | David Gray/Reuters
Rafael Nadal, 27 anos, é o último tenista a vencer um grande torneio antes de completar 20 (Foto: David Gray/Reuters)

Quando o alemão Boris Bec­­­­ker venceu o torneio de Wim­­bledon em 1985, tornou-se o mais jovem tenista a conquistar um título de Grand Slam. Tinha 17 anos. Apesar de não ter sido a única vitória de um adolescente na época, entrou para história e cada vez tem menos chances de se repetir.

A alta estirpe do tênis envelheceu. A média de idade dos principais tenistas, que nos anos 1980 girava em torno dos 20 e poucos, está mais próxima dos trintões. A prova pode ser vista a partir desta noite (de Brasília) na disputa do Aberto da Austrália, em Melbourne. A começar pelo candidatíssimo a seu quinto título, Novak Djokovic. Aos 26 anos, o sérvio dá mostras que ainda tem muito a conquistar. Atualmente treinado por Becker (46 anos) está longe de ser "velho", considerando que a expectativa de vida do europeu é superior a 80 anos. Mas se jogasse há duas décadas, já poderia considerar um plano de aposentadoria.

Nas últimas 20 temporadas, a média etária dos vencedores masculinos em torneios do Grand Slam subiu de 22 para 26 anos. Entre os dez primeiros colocados do ranking, Djoko e o escocês Andy Murray são os mais jovens, ambos com 26 anos – a média de idade do seleto grupo é de 28 anos.

O número 1 da lista, o espanhol Rafael Nadal, 27, ano passado deu mostras de que os tenistas estão aprendendo a lidar com o avanço do tempo. Mesmo depois de seis meses afastado para se recuperar de lesões no joelho, retornou para a temporada no saibro e retomou o topo do ranking. Foi ele, inclusive, o último tenista a vencer um "major" antes de completar 20 anos, em Roland Garros – 2005.

A tendência também se repete no feminino: entre 1993 e 2013, a média de idade entre as vencedoras em torneios do Grand Slam subiu de 22,5 para 28,5 anos. Pesou bastante para o aumento da taxa os títulos da norte-americana Serena Williams, que em 2013 voltou soberana ao topo da lista das melhores do mundo, vencendo Roland Garros e o US Open aos 31 anos.

Postergar o auge da carreira também faz com que resultados inéditos aconteçam quando muitos já considerariam um tenista fora de concorrência. O suíço Stanislas Wawrinka chegou no ano passado à sua primeira semifinal em um Grand Slam aos 28 anos.

"Os avanços da ciência do esporte têm colaborado muito para isso. Cada vez mais se pensa em como fazer o atleta usar melhor sua energia. Pensa-se a aplicação das tecnologias voltadas para o indivíduo, desenvolver os potenciais e minimizar as deficiências, melhorar a recuperação física", explica o doutor em Fisiologia da UFPR, Raul Osiecki.

Ainda assim, definir o melhor momento de encerrar a carreira ainda é a maior dúvida. Aos 32 anos, o suíço Roger Federer é a grande incógnita da temporada. Em 2013, seu melhor resultado foi justamente na quadra azul australiana, em que chegou à semifinal. Ele teve um jejum de finais em Grand Slam, o que não acontecia desde 2002.

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