• Carregando...
A judoca Thais Kondo competirá pelo Brasil em Miami | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
A judoca Thais Kondo competirá pelo Brasil em Miami| Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo

Aos 15 anos, a judoca Thais Kondo é campeã Pan-Americana e a primeira colocada no ranking nacional sub-18 da categoria até 44 quilos. Títulos que credenciaram a curitibana a compor a delegação brasileira que disputa o Campeonato Mundial sub-18 entre os dias 8 e 11 de agosto, em Miami, nos Estados Unidos.

Ela luta no primeiro dia da competição, dois dias depois de completar 16 anos, em seu primeiro ano na categoria até 18 anos. Ainda assim, a vaga conquistada não chegou a ser uma surpresa. "Ela vinha fazendo bons resultados desde que começou a competir, com o Pan-Americano sub-13, o título de campeã brasileira escolar em 2011 e o vice, em 2012", enumera o técnico dela, José Luís Le­­manczuk Júnior.

A judoca faixa-marrom (uma antes da faixa preta) diz não ter determinado uma meta para o Mundial. "Claro que vou competir para tentar um pódio, mas só o fato de poder participar já é um mérito", fala. A estratégia, completa, será a mesma adotada desde que começou a ter vitórias nos tatames, nas competições estaduais, aos 10 anos. "Encaro toda luta como se fosse uma final."

Foi assim no Pan-Ame­­ri­­cano sub-18, disputado este mês, em Buenos Aires, foi assim no Campeonato Bra­­sileiro, em maio, em Sal­­va­­dor. Na final do nacional, en­­frentou a segunda colocada do ranking, a paulista Bruna Silva. Quem vencesse ocuparia a liderança da lista e garantiria a vaga no Mundial. Thaís venceu por ippon (pontuação máxima, dada a um golpe perfeitamente aplicado). O título na Argentina a classificou como cabeça de chave no Mundial.

A busca pela perfeição nas técnicas – uma das premissas do judô – é uma das características que permitiram a ascensão da adolescente, avalia Lemanczuk. "Ela é enfezada. Fica assim quando não atinge seu melhor. E também muito disciplinada, coisa que vem de casa", diz. Thais começou a praticar judô aos 4 anos com o irmão gêmeo Mário, incentivados pelo pai, Mário, faixa-preta da modalidade.

O irmão deixou os tatames há dois anos. Ela segue treinando diariamente, conciliando as atividades com o 2.º ano do Ensino Médio. "Nem sempre é fácil. Quando viajo, minhas amigas da escola tiram foto do caderno delas e me mandam para eu estudar. Quando volto, faço as provas que perdi", conta.

Além dos treinos no tata­­me, a garota também tem acompanhamento de uma personal trainer. O objetivo é que ela ganhe mais velocidade e poder de reação para alterar a sequência de golpes durante os combates. Algo que a Sarah Menezes demonstrou ser uma característica imprescindível para atletas das categorias mais leves do judô. Foi com versatilidade que a judoca do Piauí conquistou a primeira medalha olímpica feminina do judô brasileiro, no ano passado, nos Jogos de Londres.

Mas a referência que Thais leva para o tatame é outra: Tiago Camilo, medalha de prata nos Jogos de Sidney (2000), bronze nos Jogos de Pequim (2008) e considerado um dos atletas de maior variedade técnica do país. "Temos o judô parecido, um judô mais técnico, mais paciente", fala a paranaense. Na lista de seus golpes mais eficientes, estão técnicas de braço, de quadril e de pés.

Fisicamente, Thais leva para o Mundial dois fatores que considera seus trunfos: a baixa estatura (1,53 m) e o fato de ser canhota. "Lutar com a esquerda sempre surpreende. Participei de quatro etapas do Circuito Europeu Sub-18 [foi bronze na etapa da Alemanha]. Vi que as garotas da Europa são mais altas, gostam de dominar a pegada por cima, o que facilita para que eu faça técnicas baixas", avalia.

0 COMENTÁRIO(S)
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]