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Jogos de Inverno

Equipe brasileira de bobsled corre contra o tempo para pintar trenó

Enquanto equipes de ponta usam tecnologia da indústria automotiva, brasileiros precisam adaptar equipamento de segunda mão nos jogos de Sochi

Equipe de bobsled está pintando o trenó com as cores brasileiras para a disputa dos Jogos de Sochi | Divugalgação CBDG
Equipe de bobsled está pintando o trenó com as cores brasileiras para a disputa dos Jogos de Sochi (Foto: Divugalgação CBDG)
Como ficará o trenó da equipe brasileira de bobsled, que estreia em Sochi quinta-feira |

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Como ficará o trenó da equipe brasileira de bobsled, que estreia em Sochi quinta-feira

Antes dos Jogos de Sochi, equipe brasileira treinou um período na Rússia, ainda com partes da pintura velha do trenó |

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Antes dos Jogos de Sochi, equipe brasileira treinou um período na Rússia, ainda com partes da pintura velha do trenó

Antes de embarcarem para Rússia, equipe brasileira de bobsled treinou com carrinho de supermercado improvisado |

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Antes de embarcarem para Rússia, equipe brasileira de bobsled treinou com carrinho de supermercado improvisado

Equipe brasileira de bobsled

O quarteto brasileiro do bobsled passou a tarde desta terça-feira envelopando o trenó que irá usar na Olimpíada de Inverno de Sochi. a equipe masculina compete em 22 e 23 de fevereiro, enquanto a dupla feminina vai para a pista de gelo dias 18 e 19.

Comprados no ano passado da equipe de Mônaco, os trenós estavam vermelhos e com algumas marcas de desgaste nos primeiros treinos do Brasil na Rússia. A nova "pintura" do trenó brasileiro vai ficar pronta quarta-feira e vai ser utilizado já na quinta-feira, segundo o piloto Edson Bindilatti.

"É um trabalho que requer muito cuidado e paciência. A pintura demoraria muito e, por motivos óbvios, não secaria a tempo. Por isso o trenó estava daquele jeito nos treinos, pois já estávamos adiantando o serviço", explicou o piloto paulista.

Quem comandou a "funilaria" dos trenós foi o atleta Odirlei Pessoni. Ex-declatleta, ele conheceu o bobsled em uma seletiva no ano passado e além de pedreiro em Franca, onde mora, é o mecânico dos trenós brasileiros em Sochi.

"Para nós não foi vergonha nenhuma, pois tem muito trenó bonito que não se qualificou para os Jogos Olímpicos. E sabíamos que íamos fazer um bom trabalho, pois além de um grande atleta temos um excelente mecânico, que é o Odirlei", afirma Bindilatti, que participou das Olimpíadas de Inverno de 2002 e 2006, também no bobsled.

Segunda Linha

A descida de bobsled dura menos de um minuto e os trenós alcançam até 150 km/h nos 1.500 m de pista. As provas na Olimpíada russa acontecem de 18 a 23 de fevereiro.

Considerada a Fórmula 1 do gelo, o bobsled atrai investimento de grandes montadoras. Os norte-americanos, por exemplo, têm à disposição modelos projetados durante os dois últimos anos pela alemã BMW.

Já o Brasil utiliza trenós modelo 2010/2011 comprados ano passado do time de Mônaco. "É de segunda linha, mas melhor que os nossos anteriores", afirmou o piloto brasileiro Edson Bindilatti, 34.

Integrante da equipe brasileira 27ª colocada em Salt Lake City-2002 e 25ª em Torino-2006, ele é o único que enxerga algo na descida e precisa decorar o trajeto para fazer as curvas.

Para ajudar os passageiros de Bindilatti, a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, com verba da Lei Piva, pagou US$ 22 mil (R$ 52 mil) em cada um dos três trenós usados (um deles, o da dupla masculina, não se classificou para Sochi). O repasse do COB para a entidade foi de R$ 1,5 milhão em 2013.

"O delas é um BMW e o nosso, um carro 1.0", comparou a atleta dos 100 m Sally Mayara, 26, que passou em uma seletiva no início de 2013 para fazer dupla com a piloto Fabiana Santos, 31."Antes só alugavam. Não dá para reclamar, nosso trenó tem só quatro anos de uso", diz Sally.

Quando a brasileira cita a construtora alemã que já teve time de F-1 não é uma metáfora. A BMW é uma das principais patrocinadoras do Comitê Olímpico dos Estados Unidos e desenvolveu seis trenós de fibra de carbono para as duplas do país que estarão nos Jogos deste ano.

Para a equipe da Itália, os trenós são projetados pela escuderia Ferrari. Já os suíços, contam com a Audi. Não há valor de venda destes modelos, mas comparativamente um trenó novo pode custar 110 mil euros (mais de R$ 260 mil).

"A Alemanha tem um laboratório próprio de pesquisas com direito a túnel de vento como na F-1 e mais de US$ 1 milhão de investimento em tecnologia por ano. Um trenó usado fica bem mais barato por causa do avanço em material, tecnologia e pesquisas", explica Paes, residente no Canadá desde 2002.

Há ainda as quatro lâminas do trenó -cada jogo custa cerca de R$ 40 mil, outro trunfo das equipes que podem investir no desenvolvimento dos equipamentos.

"No material humano a gente está bem. Estamos treinando há oito meses. A diferença está na máquina", diz Bindilatti. Os brasileiros não têm patrocinador nem recebem bolsas atualmente."Se tivesse uma Embraer da vida ajudando a fazer os trenós, a gente já podia sonhar com medalha em 2018", projeta o piloto, referindo-se à empresa aeronáutica.

Hoje, o quarteto (além de Bindilatti, Edson Martins, 24, Fábio Silva, 36, e Ordilei Pessoni, 30, pedreiro que também trabalha como mecânico do trenó) e a dupla Sally e Fabiana não têm como meta ganhar uma medalha nos Jogos.

Concluir quatro descidas e ficar entre as 20 melhores de 30 equipes será cumprir o objetivo para eles. Para elas, estar em uma Olimpíada de Inverno já é um feito inédito.

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