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Automobilismo

Escuderia do PR com selo britânico

Atual campeã da Fórmula 3 Sul-Americana, a Hitech Racing Brazil, sediada em Pinhais, espera repetir o sucesso também no Brasileiro de Turismo

Rodrigo Contin é o engenheiro-chefe da Hitech Racing: investimento alto no automobilismo | André Rodrigues/Gazeta do Povo
Rodrigo Contin é o engenheiro-chefe da Hitech Racing: investimento alto no automobilismo (Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo)

O selo é inglês, mas a engenharia é paranaense. Criada em 2009, a escuderia Hitech Racing Brazil é a atual campeã da Fórmula 3 Sul-Americana, com o piloto Felipe Guimarães, e neste ano, além de repetir o sucesso nas provas de monoposto que servem de trampolim para a Fórmula 1, a equipe sediada em Pinhais se prepara para estrear no Campeonato Brasileiro de Turismo, que terá os primeiros treinos em Curitiba, daqui a duas semanas.

A frente da equipe está o engenheiro mecânico Rodri­go Contin, 31 anos. Tudo começou porque ele percebeu cedo que não seria um grande piloto, após não conseguir patrocinadores quando foi correr na Itália. Filho de engenheiro civil, fã de automobilismo e interessadíssimo em mecânica, já tinha o hábito de ele mesmo, com o pai, Renato, ajustar o próprio kart. Assim, decidiu se tornar engenheiro de carros da F1.

Não chegou a tanto, mas com esse objetivo em mente, formou-se engenheiro mecânico na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Um ano antes de concluir a graduação, foi para a Inglaterra para colocar o plano em prática.

"Me apaixonei pelo esporte na primeira corrida que assisti no autódromo de Pinhais. Quando fui à Europa para tentar a carreira como engenheiro, um brasileiro conseguiu um trabalho para mim em uma equipe da F3 europeia, em 2006", relembra. Voltou ao Brasil para terminar a faculdade e, em seguida, retornou ao Velho Continente. Trabalhou para a equipe P1 Motorsport, na World Series da Renault. "Em 2008, fomos campeões com o Giedo van Der Garde [o holandês foi recém-contratado como piloto de testes da Sauber na F1], fui engenheiro de pista dos dois pilotos e, no ano seguinte, a equipe foi comprada pela Hitech Racing, que é inglesa."

Neste ano, Contin viu a oportunidade de voltar ao Brasil, agora como chefe. Em um acordo com a equipe britânica, comprou um dos carros da escuderia, que lhe custou cerca de R$ 300 mil, pago durante 2010. Junto, ganhou direito ao uso da tecnologia, know how e filosofia do time bretão. Em troca, dá experiência a jovens pilotos brasileiros. O primeiro foi um conterrâneo de Contin: o curitibano Pietro Fantin, que atualmente disputa a Formula Renault 3.5, campeonato considerado uma das principais portas de acesso à Formula 1. "Nos conhecemos quando eu ainda estava em Londres e meu currículo lá deu confiança ao Pietro para apostar no projeto. Não tínhamos nada aqui no Brasil além do carro. Acabei alugando um boxe no autódromo de Pinhais e até a caixa de ferramentas era emprestada. Na nossa estreia, o Pietro fez a pole position e venceu a prova", lembra o jovem engenheiro-chefe.

A estrutura Hitech Racing cresceu daquela primeira corrida para cá. Hoje, são três carros monoposto (mais um está para chegar), além dos dois modelos turismo que estão sendo construídos – na sexta-feira, a equipe aguardava a chegada dos motores, vindos de São Paulo. Tudo alocado em um barracão de 300 m², dividindo espaço com sete mecânicos, a secretária e mais um engenheiro.

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