
A chegada do verão anuncia uma invasão de pranchões ao mar, rios, lagos, baías e represas. Uma espécie de surfe com remos, o SUP (sigla para stand up paddle) conquista cada vez mais adeptos no Paraná e promete ser a sensação da temporada.
Originada no Havaí, nos anos 40, o principal chamariz da atividade é misturar esporte, lazer e contato com a natureza. Pode ser realizada por pessoas de qualquer idade. Basta equilíbrio para subir na prancha e disposição para remar.
"Conheci no Rio de Janeiro. Como sempre gostei de mar, praia, é algo que uniu o útil ao agradável para mim. Pratico todo final de semana, participo de remadas coletivas, está na minha rotina", diz Elisabete Miola, 51 anos, diretora-comercial de uma imobiliária.
Elisabete reforça a característica universal da modalidade. "Todos podem fazer, sem dúvida. No começo eu levei alguns tombos, mas depois aprendi. Tem as suas manhas, é só uma questão de tempo", diz.
Estima-se que 50 mil pessoas sejam adeptas do SUP no Brasil atualmente. Número que não para de crescer, com o impulso das celebridades que adotaram a atividade tais como a modelo Gisele Bündchen, a cantora Rihanna, o ex-jogador Ronaldo e a atriz Grazi Massafera, entre outros menos famosos.
Ascensão impulsionada pelos benefícios do esporte. "O SUP desenvolve o equilíbrio, concentração, respiração. Alivia o estresse, ansiedade, é ótimo para a qualidade de vida", afirma Carolina Carvalho, 40 anos, profissional de marketing digital.
Praticante de Yoga há 12 anos e surfista, Carolina desenvolveu o SUP Yoga.
"Percebi que dava para misturar as duas coisas, elaborei exercícios e a partir de 2012 comecei a dar aulas. É uma atividade que intensifica ainda mais a conexão com a natureza", explica.
As aulas ocorrem todos os finais de semana na represa do Passaúna. Localizado na região oeste de Curitiba, a cerca de 12 quilômetros de distância do Centro, o parque municipal é o principal ponto de encontro dos praticantes na cidade.
Quem sempre está por lá é Ricardo Beck Cougo. Como qualquer outro adepto, o palestrante e consultor empresarial iniciou fascinado pela possibilidade de "ficar em pé sobre a água". Comprou seu próprio equipamento em janeiro deste ano e, aos poucos, transformou o hobby em uma atividade esportiva de alto rendimento.
"Eu faço travessias, cerca de uma vez por mês. São trajetos de 45 quilômetros e podem durar até 9 horas, dependendo do tempo, correnteza e principalmente do vento no local", explica Cougo, 49 anos.
Para tornar a atividade radical, Cougo parte sempre sozinho.
"Todas são sem equipe de apoio e solo. É para me desafiar com relação ao planejamento, estratégia, motivação, coragem, forma física e, principalmente, a questão mental", diz. Preço do equipamento não barra crescimento da modalidade no país
Para quem pretende adotar o esporte, o SUP requer um investimento alto. As pranchas custam entre R$ 1,5 mil e R$ 10 mil, das mais básicas até equipamentos profissionais. Os remos saem de R$ 300 a R$ 1 mil.
Com a chegada do verão, o interesse aumenta. "O mercado de stand up paddle está passando por um momento de grande crescimento e evolução, não param de surgir competições e praticantes", aponta Luiz Felipe Pereira, representante da California Republic, marca curitibana que atua no ramo.
Fabricante de pranchas de surfe há quase 20 anos, Matheus Camargo viu multiplicar os pedidos para a prática de SUP recentemente.
"A procura tem sido intensa, tem sido necessário dividir as atenções para atender a demanda. Vai ser o verão do SUP", comenta o shaper, que possui loja em Pontal do Paraná, litoral do estado.
Uma alternativa é alugar o equipamento, pranchas e remo. Na represa do Passaúna há um empreendimento que fornece o material e cobra R$ 50 por hora de utilização.




