
O segundo combate do UFC 147, hoje à noite, em Belo Horizonte, será especial para dois paranaenses. Únicos representantes do estado na casa do reality show The Ultimate Fighter (TUF) Brasil, encerrado no último domingo, Marcos Vinícius "Vina" Pancini e Wagner "Galeto" Campos irão se enfrentar no octógono do Mineirinho. Com histórias que se cruzam, ambos lutam pelo sonho de permanecer aos olhos da maior organização de artes marciais mistas (MMA) do mundo.
Vinícius Vina, 32 anos, e Wagner Galeto, 30, eram amigos hoje se consideram apenas colegas. Durante cinco anos, Vina foi aluno de jiu-jítsu de Galeto. Ele se graduou até a faixa roxa com o então professor. Porém, quando decidiu deixar o esporte de quimono para tentar a sorte no MMA, o caminho deles se separou. Depois de um desentendimento, Vina trocou de academia e o vínculo de amizade se rompeu. Tornaram-se colegas de profissão e, por obra do destino, se reencontraram na casa do TUF.
"Não dá para explicar, é só o destino mesmo que pode explicar", fala Galeto, atleta da academia Gile Ribeiro, que garante não guardar mágoa. "Não somos mais amigos, só colegas. Mas o respeito existe", reitera Vina, que defende a Strikers House.
Apesar das diferenças do passado, os curitibanos ainda têm muito em comum. Ambos respiram o mundo da luta há pelo menos cinco anos, competem na mesma categoria (penas, até 65 kg), acumulam as mesmas três derrotas na carreira e, principalmente, correm atrás no mesmo desejo.
"O UFC é o evento que todo atleta sonha em chegar. E eu consegui. Estou vivendo um sonho e espero que isso dure por muitos anos", afirma Galeto. "Hoje olho para trás e falo que todo tempo investido, todo o suor, todo o sofrimento que tivemos não foi em vão", emenda Vina.
Na casa do TUF, a esperança dos paranaenses acabou logo nas quartas de final. Galeto perdeu por decisão dividida para o cearense Godofredo Pepey, enquanto seu conterrâneo foi batido por decisão unânime pelo baiano Hugo Wolverine. Vina até teve uma nova chance por causa da contusão do paulista Rodrigo Damm, mas parou em uma finalização de Pepey.
Sem a possibilidade de disputar um contrato com o UFC prêmio para o campeão da edição eles querem mostrar trabalho e, quem sabe, novas oportunidades. Por isso, o passado fica para trás.
"Estou em um evento consagrado, quero tentar dar um show. Não tem essa de ganhar por pontos. Quero ganhar 'ganhado' mesmo", crava Vina. "Independente de quem seja o rival, de termos sido amigos ou não, a dedicação tem de ser a mesma. É legal ter dois paranaenses no UFC. Isso demonstra a força do nosso estado", fecha Galeto.



