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toronto-2015

‘Thyê está muito abalado’, diz advogado de atleta acusado de abuso sexual

Segundo defensor do goleiro, abrangência de abuso sexual na legislação canadense vai de abraço não consentido até estupro

Thyê em se último treino em Kazan, antes de ser desligado da delegação brasileira e voltar ao país | Satiro Sodré/SS Press
Thyê em se último treino em Kazan, antes de ser desligado da delegação brasileira e voltar ao país (Foto: Satiro Sodré/SS Press)

À frente da defesa do atleta Thyê Mattos, acusado de abuso sexual no Canadá, o advogado Marcelo Franklin espera ter acesso nos próximos dias à investigação aberta pela polícia local contra o goleiro da seleção masculina de polo aquático. Obter informações precisas sobre as acusações e eventuais provas apresentadas pela jovem canadense contra seu cliente é fundamental para estabelecer a estratégia de defesa do brasileiro.

“O atleta se declara inocente e sem conhecer o processo e as provas não há porque alguém acreditar no contrário”, diz Franklin. O advogado conta que só conversou com Thyê por telefone da Rússia, para onde o atleta seguiu após os Jogos Pan Americanos de Toronto para participar do Mundial de Esportes Aquáticos. Após o episódio vir à tona ele acabou desligado da competição.

“O que posso dizer é que ele está muito abalado, mas confiante de que vai conseguir provar que não praticou nenhum ato ilícito”, afirma o advogado esportivo contratado pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).

O jogador chega neste domingo (26) ao Brasil. “Ele chega hoje ao Brasil. Se fosse meu filho eu não traria para cá. Não faz sentido trazê-lo ao Canadá”, disse o gerente executivo de esportes do COB, Marcus Vinícius Freire, neste domingo (25), em Toronto.

Segundo o dirigente, nem a polícia canadense nem o comitê organizador dos Jogos passaram qualquer informação ao COB sobre o caso. Advogados do Brasil e um escritório em Toronto já foram acionados.

“Não tivemos acesso ou fomos notificados oficialmente de nada, nem pela polícia nem pelo comitê. A polícia canadense anunciou [o caso] e fez um pré-julgamento”, reclamou Freire.

Ainda de acordo com o dirigente, o caso faz com que o COB já comece a pensar novas formas de evitar este tipo de problema nos Jogos Olímpicos do Rio.

“Toda vez que surge um caso diferente como este a gente estuda o que fazer, o que está certo ou errado”, disse.

O advogado de Thyê frisa que o crime de abuso sexual no Canadá tem uma definição muito abrangente, englobando desde um abraço não consentido até o estupro. Em função disso, as penas podem passar por medidas sócio-educativas, multa e até prisão por até dez anos. “Pode ser uma acusação muito séria ou algo banal. O que quero é saber onde estamos pisando para depois tomar um posicionamento correto. Seria leviano fazer um prognóstico antes de conhecer os fatos”, afirma.

Embora reconheça que a polícia de Toronto agiu dentro da legislação canadense ao divulgar a identidade do brasileiro e mesmo ao pedir sua prisão, o advogado considera que isso gerou uma exposição excessiva da imagem de seu cliente. “Para a opinião pública mundial ele foi considerado culpado antes de ter a oportunidade de se defender”, critica.

O advogado descarta a possibilidade de Thyê Mattos ser preso agora, já que o Brasil não tem tratado bilateral de extradição com o Canadá. Em princípio Franklin não irá ao país e aguardará as informações de advogados contatados em Toronto, que deverão atuar em parceria com o brasileiro no caso.

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