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Vôlei paranaense vive década perdida pós-Rexona

Sem dinheiro da iniciativa privada, projeto político e gestores influentes, modalidade está na penúria no estado

Bernardinho orienta o time do Rexona na temporada de 1997/98 | Pedro Serápio / Gazeta do Povo
Bernardinho orienta o time do Rexona na temporada de 1997/98 (Foto: Pedro Serápio / Gazeta do Povo)
Na ausência de um time, londrinenses fazem do Ginásio Moringão um palco para eventos acadêmicos |

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Na ausência de um time, londrinenses fazem do Ginásio Moringão um palco para eventos acadêmicos

Recepção dna chegada do time do Rexona a Curitiba após conquistar a Superliga de 2000/2001 |

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Recepção dna chegada do time do Rexona a Curitiba após conquistar a Superliga de 2000/2001

Rexona tinha média de 3,8 mil pessoas de público por jogo no Ginásio do Tarumã |

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Rexona tinha média de 3,8 mil pessoas de público por jogo no Ginásio do Tarumã

O técnico Bernardinho pode ser candidato no ano que vem pelo PSDB |

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O técnico Bernardinho pode ser candidato no ano que vem pelo PSDB

Rexona tinha média de 3,8 mil pessoas de público por jogo no Ginásio do Tarumã |

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Rexona tinha média de 3,8 mil pessoas de público por jogo no Ginásio do Tarumã

Equipe do Rexona conquistou dois títulos nacionais enquanto jogou em Curitiba |

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Equipe do Rexona conquistou dois títulos nacionais enquanto jogou em Curitiba

Rexona tinha média de 3,8 mil pessoas de público por jogo no Ginásio do Tarumã |

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Rexona tinha média de 3,8 mil pessoas de público por jogo no Ginásio do Tarumã

Rexona, campeã brasileira da temporada 2000/2001 |

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Rexona, campeã brasileira da temporada 2000/2001

A média de 3,8 mil torcedo­­res por jogo, quantia de fazer inveja ao Pa­­ranaense de Futebol (2.642 torcedores a ca­­da partida) é uma das me­­lhores memórias registradas pelo Ginásio Tarumã em sua história: entre 1997 e 2003, o time de vôlei feminino Re­­xo­­na foi a febre esporti­­va que contagiou Curitiba e causava filas em frente ao comple­xo esportivo.

O time ganhou dois títulos nacionais (um no ano de estreia, na temporada 1997/98, e o outro em 2000/01), em 2004 foi transferido para o Rio de Ja­­neiro (hoje rebatiza­do de Unilever) e ainda é co­­man­­dado pelo seu primeiro técni­co, Bernardinho. O Re­­xo­na deixou muitas saudades, mas não um legado para o volei­bol do estado, que, quase dez anos depois de o pro­jeto ganhar seu último título (o Estadual, em setembro de 2003), ainda não teve outro time tão competitivo.

Outros bem que tentaram criar times de destaque na Superliga (ver gráfico), principal competição nacional. Sa­­ques sem direção e um cenário de poucas perspectivas para a modalidade no estado.

Para fontes ouvidas pela Gazeta do Povo, o primeiro bloqueio é o financeiro – visto que a Confederação Bra­­si­­leira de Voleibol (CBV) quer garantias de investimentos para bancar o alto custo da folha salarial dos atletas. Algo na casa dos R$ 5 milhões.

Ao contrário do ocorrido na era Rexona, dificilmente o governo estadual será um canal de renda para um time local na Liga Nacional.

"Uma equipe, para chegar às semifinais da Superliga, não custa menos de R$ 12 milhões por temporada. É bastante dinheiro. Há quem tenha o entendimento de que trazer o ídolo para perto estimula as pessoas a começarem a praticar o esporte. Mas, antes, temos de fazer o dever de casa, investir nos campeonatos locais. Senão, [montar um time de elite] seria mais um espetáculo circense, que se apresenta e vai embora", fala o secretá­rio de Esportes do Paraná, Evan­dro Rogério Roman.

Mas só (muito) dinheiro não basta, explica o professor de Economia e coautor do livro Esporte como Indústria, em parceria com a CBV, Istvan Karoly Kasznar. "Para viabilizar equipes campeãs é preciso também ter gestores líderes; criar um ambiente de mobilização social em torno do projeto; chegar àqueles agentes de decisão, como o Ary Graça [presidente da CBV], que são influentes para interceder por essas equipes", explica.

O presidente da Federação Paranaense de Voleibol, Neuri Barbieri, confirma a presença do jogo político. "Todas as vezes em que conseguimos emplacar times na Superliga não foram pelos meios naturais, mas por influência política, argumentando que é essencial o Paraná ter representantes. Claro que sofro cobrança depois da Confederação. Com o Ary, tudo tem de dar lucro. A Superliga está superbem, mas é frágil porque os times estão sujeitos às decisões dos patrocinadores", diz.

Alguns projetos engati­­nham no estado. Em Foz do Iguaçu, o time disputou ontem à noite a última rodada das classificatórias da Su­­per­liga B, com uma campanha fraca até aqui (uma vitória em nove jogos), mas considerada boa pelo treinador.

"Vejo que o grupo tem evo­­luído a cada rodada e, como começamos a preparação em cima da hora, depois de termos a confirmação de que teríamos o apoio da prefeitura, acredito que temos ido bem", diz Marcão. Ele afirma que, em quatro anos – tempo em que tem garantido o apoio do município – o time tem condições de "encorpar" tecnicamente, atrair mais público ao Ginásio Costa Cavalcante e, consequentemente, mais patrocinadores.

Em Londrina, o Instituto Pró-Esporte tenta sanar as dívidas somadas nas temporadas 2010 e 2011 para reativar o Londrina/Sercomtel em 2014. Ao todo, o instituto deve R$ 200 mil entre salários atrasados e prestação de contas como o poder público.

"Até por isso, queremos en­­contrar patrocinadores fora da esfera política. O ideal se­­ria poder contar com apoios acima de R$ 5 milhões para tentar um retorno à Superliga principal, depois de disputarmos a série B, no começo de 2014", afirma o presidente do Instituto, Mateus Goebel.

Na temporada 2011/12, o Londrina/Sercomtel foi o últi­mo colocado da Superliga e teve dificuldades para bancar a equipe, tendo recorrido até a rifas para tentar diminuir os prejuízos.

Das 22 agremiações em ação hoje nas ligas masculina e feminina, 11 são de São Paulo, 5 de Minas Gerais, 3 do Rio de Janeiro, 2 de San­­ta Catarina e 1 do Rio Gran­de do Sul.

Clique aqui e confira o infográfico em tamanho maior

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