
A caixa-preta da Copa 2014 em Curitiba segue fechada. A reunião de ontem, que daria continuidade ao encontro da quinta-feira no Palácio das Araucárias, foi adiada por causa de um conflito de agendas entre o governador Orlando Pessuti e o prefeito Luciano Ducci. Com o relógio para o encontro com Ricardo Teixeira (presidente da CBF e do COL, Comitê Organizador Local) correndo apenas até a próxima segunda, a tranquilidade demonstrada por políticos e envolvidos na organização da sede curitibana aponta: a fórmula do aporte financeiro via estado teria sido encontrada, apenas não trazida a público ainda.
Estudos técnicos buscam explicar como a Copel (alternativa mais comentada publicamente) vai patrocinar um terço da obra, ou seja, cerca de R$ 45 milhões driblando os impedimentos legais para injeção de dinheiro público em uma propriedade privada. Seria a parcela do estado, que justificaria o aporte com a necessidade de divulgação da marca da companhia, que passará a atuar nos ramos de telefonia fixa e banda extra larga.
Há um questionamento aberto sobre os números. A Copel hoje tem um orçamento de R$ 3 milhões anual no setor para propaganda, cerca de 15 vezes menos que o investimento a ser feito no estádio. Como a votação do projeto na Assembleia Legislativa está marcada para o dia 3 de agosto, Pessuti pode se antecipar e assinar a autorização. Entre os que apoiam a ideia e os que são contrários (na maioria divididos em castas clubísticas), o governador aguarda pelo que seria o "momento certo" para divulgar a medida. Durante toda a sexta-feira a reportagem tentou contato com o governador, sem sucesso.
Na prefeitura, o discurso de tranquilidade é ainda maior. "Estamos trabalhando, está tudo dentro do previsto", limitou-se a dizer o prefeito Luciano Ducci. Se a fórmula do estado permanece obscura, a cidade já confirmou que irá conceder o benefício do potencial construtivo permuta na qual a empresa interessada em investir recebe aval para construir acima dos padrões urbanos estabelecidos em uma determinada área da cidade.
Os valores, no entanto, seguem em estudo. Estima-se algo na casa dos R$ 80 milhões em papéis, que seriam repassados diretamente a uma construtora. O Atlético, que não pode negociar com o BNDES por política do banco, apenas autorizaria a licitação da empresa que ficaria com os papéis.
Informalmente, tanto políticos da cidade quanto do estado dizem ter o aval de Ricardo Teixeira para prorrogar as negociações. Teixeira não teria dado um prazo final. No entanto, fontes ligadas ao presidente da CBF apontam que o mesmo já estaria cansado das indefinições em Curitiba e que a Fifa não faz questão de manter as 12 sedes.
Enquanto isso, o Atlético aguarda. "Está tudo nas mãos do governo [estado e prefeitura]. Agora é com eles os trâmites burocráticos", disse Glaucio Geara, presidente do Conselho Deliberativo rubro-negro. "Vamos esperar o pronunciamento do estado", reforçou Marcos Malucelli, presidente do Conselho Gestor, evitando se aprofundar no assunto.
Tal qual uma batata quente, as garantias financeiras para que a capital paranaense seja subsede são jogadas de mão em mão, sem que ninguém crave qual a fórmula mágica.




