
A vitória do Operário sobre o Atlético na Arena, quarta-feira, fez a torcida acreditar que os bons tempos do Fantasma alcunha inventada pelos clubes de Curitiba estão de volta. Além dos cerca de 300 torcedores que foram ao jogo, vários grupos se reuniram em bares para assistir à partida. Após o apito final, uma carreata se formou no centro de Ponta Grossa, com buzinaço na avenida Vicente Machado, tradicional ponto de comemoração.
O clima ontem ainda era uma mistura de euforia com satisfação. Nos pontos de ônibus, a conversa era começada com "e o Operário?". A atuação da equipe foi elogiada pelos torcedores, que ontem saíram às ruas ou foram ao trabalho vestidos com a camisa do time.
O motoboy Lucas de Camargo Kiszka, 22 anos, pilotava com o emblema de uma torcida organizada. "Estou no estádio em todos os jogos. Pelo jeito que está o time, ficamos entre os cinco pelo menos", vislumbra.
O confeiteiro Orlando Vieira Rodrigues, 35 anos, aguarda com ansiedade a estreia do Fantasma no Germano Kruger. "Fiquei acompanhando o jogo pelo rádio. Pelo que falam, não vejo a hora de ver o time de perto", diz.
O jogo com o Rio Branco, pela quarta rodada, foi transferido de quarta para quinta-feira que vem. Na segunda, o estádio será vistoriado pela Federação.
A vitória levou o torcedor Clicélio Bastos, 36, a comprar a camisa do Operário na loja do time, em um shopping. "Já vim fazer aumentar a venda de camisas para ir no estádio de uniforme", conta ele, que já saiu a caráter. Rafael Felipe Matras, 18 anos, já usava a sua. "Eu não esperava que pudesse ganhar na Arena, mas o time jogou muito. O segundo tempo foi todo do Operário", relembra.
Já no treino do time, realizado no Clube América Pontagrossense, os pés já estavam no chão. O lateral-direita Lisa, que fez o gol da vitória, era um dos mais contidos. "Comemoramos a vitória, mas foi só um jogo. Não ganhamos nada ainda, o campeonato está só no começo", indica.
Diretor do América, Diulmar Nunes, 52, acredita que o elo entre a população da cidade e o futebol é muito forte, desde o amador até o profissional, o que explicaria a alegria do torcedor. "Nós aqui cedemos o campo para treinos e também a nossa academia. A cidade e os clubes estão unidos e isso fortalece o futebol", afirma.
Enquanto observava o treino, o operariano Divaldir Ditzel, 52, recordava as partidas das décadas de 80 e 90, quando o clube chegou às semifinais da Série B do Brasileiro e não eram incomuns as vitórias sobre os clubes curitibanos. "Ganhamos aqui do Sport, do Remo. Acho que podemos voltar com tudo", torce. Ao seu lado, Vagner Martins dos Santos, 24, imagina o passado e acredita em um futuro próspero. "Estou vendo agora o que os mais velhos falavam. É muito bom o que está acontecendo", conta.



