Arrependido com algumas declarações do dia anterior, quando chegou a chamar o Corinthians de "time de Segunda", após a derrota no clássico disputado no Pacaembu, o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, convocou uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (23) para se explicar. "Fiz alguns comentários que não eram pertinentes para um dirigente, com palavras que eu não repetiria hoje, pelo respeito que tenho pelo clube coirmão", reconheceu.
Marcelo Teixeira também aproveitou a entrevista para isentar a direção e a torcida do Santos de responsabilidade nos incidentes de domingo (22), no Pacaembu - houve um confronto entre santistas e a PM, além de problemas envolvendo o próprio presidente com os corintianos. Ele disse que foi "cuspido e chutado" por pessoas na torcida do Corinthians, lamentando novamente a divisão de ingressos para o clássico.
"Querem me responsabilizar pelos lamentáveis fatos ocorridos no Pacaembu, alegando que, como educador e responsável por uma universidade, não podia agir daquela maneira. Ali eu representava o Santos e estava emocionalmente revoltado com o que assistia", defendeu-se Marcelo Teixeira. "Qualquer cidadão teria esse tipo de sentimento. As imagens que estão sendo mostrados são posteriores a tudo e não mostram como entramos e saímos do nosso reservado."
Segundo Marcelo Teixeira, ele foi pedir ao comandante do policiamento para que parassem de bater nos torcedores santistas E, então, para ir para o vestiário, teria sido "cuspido e chutado" por corintianos. "O Pacaembu parecia um campo de guerra Espero não ter que dizer outra vez para a minha esposa que não posso levar o meu filho para ver um grande jogo como Santos e Corinthians. E nem ter que explicar ao Marcelinho (seu filho) que não posso levá-lo a um estádio", afirmou o presidente.
"O Santos nada pôde fazer para evitar o que aconteceu. Se o Corinthians destinasse o tobogã para a torcida do Santos, nada disso teria acontecido", reclamou Marcelo Teixeira, lembrando que a diretoria corintiana cedeu apenas 6% da carta total de ingressos do clássico para os santistas - foram cerca de 2 mil entradas. "A presença de duas torcidas nos clássicos é o que torna o futebol mais emocionante. Basta os dirigentes agirem preventivamente, na base do diálogo e com ações visando a grandeza do espetáculo, que não haverá problemas."
Depois, Marcelo Teixeira tratou de desanimar os ânimos, descartando um clima de revanchismo. "No final do jogo, exaltado, o nosso vice-presidente (Norberto Moreira da Silva) fez o comentário que o Corinthians vai ter que ir à Vila Belmiro no Campeonato Brasileiro e que a recíproca será verdadeira", lembrou o presidente santista. "Acredito que ele quis se referir apenas à carga de ingressos. Não vai haver revanchismo na Vila e esse não é o sentimento do Norberto."



