
O Atlético e a CAP S/A já comprometeram o pagamento de R$ 7,4 milhões ao escritório de arquitetura de Carlos Arcos, primo do presidente rubro-negro, Mario Celso Petraglia. Deste montante, o clube pagou por enquanto R$ 5,8 milhões e o crédito final, segundo previsto em um dos acordos vigentes, crescerá na mesma proporção que o orçamento do estádio.
Atualmente, o arquiteto mantém dois contratos com a CAP S/A, empresa responsável pelo gerenciamento, administração, construção e empreendimento imobiliário do estádio. O primeiro, para coordenar alterações no projeto, no valor de R$ 1,5 milhão (R$ 900 mil já pagos). O segundo, para fazer a fiscalização arquitetônica, planejamento, controle e aquisições referentes à obra, tem o custo de R$ 2.584.400 (R$ 1,5 milhão pago). Neste último acordo, a remuneração é atrelada ao orçamento total da obra 1,4%. Ou seja, quanto mais caro custar o estádio, maior será a quantia recebida por Arcos.
Foi Petraglia quem indicou a contratação do parente. A recomendação foi feita pelo principal dirigente rubro-negro na madrugada de 16 de dezembro de 2008, em e-mail enviado ao engenheiro Flávio Vaz, então responsável pela obra, ao qual a Gazeta do Povo teve acesso. Na mensagem, copiada para o, à época, advogado do clube Rui Paciornik, constam instruções de como deve ser elaborado o contrato de prestação de serviço. As diretrizes foram seguidas por Marcos Malucelli, que havia assumido a presidência seis dias antes, com o apoio de Petraglia.
A remuneração atrelada ao custo da reforma, prática comum de mercado, foi uma das orientações do dirigente na mensagem. Também vinha sendo adotada no vínculo anterior, assinado em 2006, entre o Atlético e o escritório de arquitetura Vigliecca & Associados, autor do projeto básico. Nos dois casos, o porcentual era de 2,8%. De acordo com Petraglia, tanto o Vigliecca quanto o clube concordavam em rescindir esse contrato. O escritório, segundo Malucelli, recebeu R$ 2,7 milhões até a ruptura do vínculo.
"Temos de firmar com a empresa do Carlos Arcos um novo contrato, onde ele assume todo o acervo do contrato assinado e rescindido", escreveu Petraglia, que lembrou que o envolvimento do seu primo com o projeto existia havia mais de um ano. "A empresa do Carlos assumirá todos os serviços, como de fato faz desde outubro de 2007."
Este primeiro contrato entre o Atlético e Arcos, firmado em 2009, rendeu ao arquiteto R$ 475,5 mil. O valor é mencionado pelo próprio Arcos em um documento enviado, no dia 1.º de novembro de 2011, a dois dirigentes rubro-negros: Renato Requião, então diretor-superintendente, e Maria Aparecida Gonçalves, à época diretora financeira.
Neste documento, obtido pela reportagem, Arcos comunica a necessidade de reajuste no seu pagamento, conforme cláusulas previstas em um segundo contrato, celebrado em setembro de 2010. Neste acordo também está previsto repasse de 2,8% do custo total do orçamento ao escritório do arquiteto. O orçamento havia acabado de chegar a R$ 220 milhões, valor que caía para R$ 184,6 milhões com as isenções de imposto previstas.
Pelos cálculos de Arcos, em cima deste valor, sua remuneração seria de R$ 5.168.800. Desta quantia foram descontados os R$ 475,5 mil do primeiro acordo e R$ 3.079.650 pagos em dez parcelas mensais, entre novembro de 2010 e agosto de 2011. Restou um saldo de R$ 1.613.350.
Quarenta e três dias depois, em 13 de dezembro de 2011, Arcos enviou um e-mail a Malucelli cobrando este pagamento. O então presidente rubro-negro confirmou não ter feito o repasse. "Considerei o valor indevido diante do que já havíamos pago", explicou.
Nos seis dias seguintes foram assinados os novos contratos com Arcos, pelos quais o Atlético paga desde janeiro deste ano.
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