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Política

Projeto empacado tira alunos das quadras

Não há consenso sobre o motivo da paralisação do programa Segundo Tempo em boa parte do estado, mesmo com dinheiro em caixa

O coordenador do projeto Segundo Tempo e diretor-auxiliar do Colégio Estadual Pedro Macedo, José Marcos de Paula, observa os alunos impedidos de continuar as práticas esportivas no contraturno escolar | Marcelo Elias/ Gazeta do Povo
O coordenador do projeto Segundo Tempo e diretor-auxiliar do Colégio Estadual Pedro Macedo, José Marcos de Paula, observa os alunos impedidos de continuar as práticas esportivas no contraturno escolar (Foto: Marcelo Elias/ Gazeta do Povo)

Mesmo com R$ 3 milhões em caixa, o projeto Segundo Tempo está paralisado há dois meses em boa parte do Paraná, deixando 41,2 mil adolescentes sem atividades no contraturno escolar.

O programa federal possibilita a prática esportiva a crianças e adolescentes, prioritariamente em áreas de vulnerabilidade social, com acompanhamento de profissionais da Educação Física. Tam­bém serviu como argumento da preocupação do Brasil em desenvolver uma cultura esportiva quando o país ainda concorria para sediar a Olimpíada de 2016.

A Secretaria Especial de Espor­tes do Paraná suspendeu o programa, realizado em parceria com o Ministério do Esporte (ME), no início de fevereiro. Não há um consenso, porém, do motivo da decisão. O convênio é o maior do estado e quinto do país em valores repassados – R$ 4,7 milhões pagos em 2010, conforme levantamento da ONG Contas Abertas.

Apesar da verba em caixa – ainda não utilizada do que já foi pago pelo Ministério –, não há previsão de retorno das atividades. Estima-se o início para o segundo semestre, em parceria com outro programa federal, o Mais Edu­cação, do Ministério da Educação (MEC) (leia mais ao lado).

O secretário especial do Espor­te, Evandro Rogério Roman, informou que decidiu suspender o programa por "cautela técnica", por causa de gestões anteriores "contraditórias" e "paliativas". "Nos deparamos com uma situação em que, desde 2007 até janeiro de 2011, o projeto havia sido realizado em sua efetividade apenas seis me­­ses", afirma.

Em fevereiro começaram a ser divulgadas na mídia denúncias em relação ao programa em Goiás, Santa Catarina, São Paulo e Piauí. Segundo elas, estariam sendo favorecidos gestores do Segundo Tempo ligados ao PCdoB, partido do ministro do Esporte Orlando Sil­va. "No nosso caso foi apenas coincidência, não há relação nenhuma", diz o coordenador ge­ral do Se­gundo Tempo no Pa­raná, Dilson Martins.

Diretores de escolas estaduais que sediam núcleos do Segundo Tempo em Curitiba, Maringá e Umuarama negaram períodos de interrupção do projeto. "Houve, sim, alguns atrasos de pagamentos aos professores, mas depois tudo foi acertado. Há quatro anos está tudo certo", conta a diretora do Colégio Estadual Pedro Mace­do, em Curitiba, Deuzita Cardoso da Silva. "Os alunos perguntam se vão voltar a ter futebol, vôlei, basquete, depois das aulas. Não sei o que res­­ponder", lamenta Wilson Batista da Silva, diretor da Es­­cola Estadual Monteiro Lobato, na ci­­da­­de de Umuarama.

Os dois ex-presidentes da Para­­ná Esporte (nome da autarquia que até o ano passado ocupava o lugar da secretaria especial) afirmaram que em suas gestões o Segundo Tempo funcionou a contento nos mais de 200 núcleos, com a compra de equipamentos esportivos, alimentação para os participantes e pagamento de estagiários bancados pelo ME. "O Segundo Tempo no Paraná é exemplar, foi um dos primeiros a ser realizado nas escolas. Geren­ciei-o por seis anos e funcionou muito bem", garante Ricardo Go­­my­­de, presidente da autarquia até o primeiro semestre de 2009.

"Fiquei no comando em 2008, depois em 2009 até o final de 2010 e sempre funcionou maravilhosamente bem. Fico surpreso que o Segundo Tempo esteja suspenso no Paraná", emenda o outro ex-presidente da Paraná Esporte, Marco Aurélio Saldanha da Rocha.

Dilson Martins, porém, afirma que o programa foi autorizado pelo ME pela última vez em março de 2008, mas o início oficial das atividades só ocorreu em agosto de 2010. "Até então, quem arcou com todos os custos foi o governo do estado", justificou, após ser informado que membros das escolas atendidas negavam que o projeto vinha sendo mal executado.

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