
Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente do Coritiba, pode ser impedido de ir ao Couto Pereira na próxima quinta-feira, quando o clube enfrenta o Paranavaí pela segunda rodada do Campeonato Paranaense. A ordem é médica.
O dirigente, que se recupera de cirurgia para retirada de um tumor no intestino, deveria seguir em repouso. Entretanto, o responsável pelo projeto de profissionalização coxa-branca acredita que tem a obrigação de estar presente, assim como continuou a fazer com suas responsabilidades diárias ligadas ao clube. "[Assistir pela televisão] é um sofrimento. O médico não quer liberar, mas até quinta eu dobro ele", contou, por telefone, à Gazeta do Povo.
Foi diante da tevê que Andrade viu o Alviverde estrear com vitória no Estadual, no último domingo, contra o Operário. Porém, nem mesmo quando estava na cama do hospital, logo após a operação a qual foi submetido na última sexta-feira, deixou de acompanhar a equipe que fazia a primeira parte da pré-temporada em Foz do Iguaçu.
"Liguei para o Ximenes [Felipe, coordenador de futebol] seis horas depois da cirurgia. Queria saber se estava tudo certo, se precisavam de alguma coisa lá", revelou, antes de explicar, com sua característica fala pausada e serena, o motivo de tanta preocupação. "Tenho responsabilidade perante a um quadro associativo e mais de 1,5 milhão de torcedores. Este é um momento praticamente de refundação [do clube]. Por isso tenho que estar atento aos detalhes. A doença a gente tira de letra", destacou o dirigente.
Responsabilidade, palavra mais usada por Andrade para descrever sua relação com o clube do coração, é o que o move na intenção de elevar o time do Alto da Glória a patamares mais altos. Hoje, por exemplo, o vice-presidente participará em sua residência de uma reunião com todos os gestores profissionais do Coritiba.
"Fomos o primeiro clube do país a profissionalizar todas as áreas. O Inter diz que foram eles, mas na minha visão fomos nós. O futebol tem que se profissionalizar, precisa de credibilidade", apontou, citando seu principal trabalho: estabilizar o clube financeiramente.
Ao lado da esposa Regina, a quem agradece pelo suporte para deixar para trás um dos momentos difíceis dos 35 anos de casamento, Andrade espera poder ver o Coxa passar por mais um desafio nesta quinta, assim como ele mesmo vem fazendo. "Na vida temos razões para viver e missões a cumprir. Estou aqui, com coragem e dignidade, para superá-los", concluiu.



