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Juniores

Promessas blindadas buscam desempenho inédito na Copinha

Atrás de melhor campanha, trio de ferro protege jovens do assédio na 80.ª edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Londrina corre atrás de negócios

O goleiro Rodolfo, das categorias de base do Paraná, treina para a competição | Giuliano Gomes/Gazeta do Povo
O goleiro Rodolfo, das categorias de base do Paraná, treina para a competição (Foto: Giuliano Gomes/Gazeta do Povo)

Três dos quatro times paranaenses começam hoje a busca por um feito inédito para o estado: o título de campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Tradicional torneio da categoria, o evento é um chamariz de empresário, contra os quais os clubes da capital reforçaram a "defesa". Blindados fora de campo, Atlético e Paraná têm seus primeiros jogos marcados para esta tarde (veja tabela), enquanto o Coritiba faz sua estreia amanhã. O Londrina também joga neste sábado, mas planeja usar a disputa como balcão de negócios. A todos cabe a missão de redimir o desempenho das equipes locais.

Em 37 edições da Copinha que disputaram, os paranaenses não conseguiram chegar a uma final. O Paraná é a única federação do sul do país que ainda não ergueu a taça do campeonato – Santa Catarina levou o primeiro título o ano passado, com o Figueirense. O Internacional venceu a competição quatro vezes para o Rio Grande do Sul.

Chegar ao título não é tarefa fácil e os clubes sabem disso. São 88 times de todo o Brasil que disputam a 40ª edição do campeonato sub-18. "Projetamos, no mínimo, fazer uma campanha melhor que a do ano passado e chegar entre os quatro primeiros", diz o técnico do Alviverde, o ídolo dos anos 90 Pachequinho.

O discurso é semelhante nos outros dois clubes do Trio de Ferro. Tanto Atlético quanto Paraná também pretendem chegar à semifinal. Já o Londrina tem pretensões mais modestas. "Vamos com o objetivo de passar da primeira fase", afirma o coordenador de futebol do Tubarão, Udelton Prates.

Para alcançar suas metas, cada um dos representantes locais traçou uma trajetória. O Coxa e o Furacão vêm da disputa do Campeonato Brasileiro Sub-20, disputado no Rio Grande do Sul, em dezembro. A dupla Atletiba foi eliminada na fase classificatória. "A situação no Brasileiro serviu para apontar algumas falhas que já corrigimos", explicou o técnico do Rubro-Negro, Marquinhos Santos, que assumiu o comando há um mês.

Já o Coritiba vai a São Paulo com um olho na Copinha e outro no México. Caso chegue à final da Copa São Paulo (marcada para 25 de janeiro), vai ter de, literalmente, se desdobrar em dois. Entre 23 deste mês e 2 de fevereiro, o Alviverde disputa a Copa Chivas da categoria, em que enfrentará, na primeira etapa, o argentino River Plate e o Real Madrid, da Espanha, além dos mexicanos América, Monterrey e UAG. "Temos um time treinando em Curitiba que viajará ao México para os primeiros jogos, se necessário", explica Pachequinho.

Para o Tricolor, a Copa São Paulo é o principal compromisso da temporada, já que não integra o Brasileiro (disputado pelos 20 times da Série A e convidados). "Sem ir ao Rio Grande do Sul, nosso foco ficou todo na Copa São Paulo", fala o técnico do Paraná, Parraga.

Caça-talentos

Mas não é só a tradição e os resultados nos placares que chamam a atenção da Copinha. O campeonato reúne no estado de São Paulo 2,2 mil jogadores entre 15 e 18 anos. São milhares de talentos querendo mostrar seu potencial nos 163 jogos realizados em 23 dias. Um prato cheio para empresários e olheiros, não só do Brasil como também do exterior, que invadem as arquibancadas dos estádios em busca de um bom negócio.

O que pode ser bom ou não, dependendo do ponto de vista. O Londrina vai usar a competição para exibir seus jogadores pensando em fazer caixa. "O objetivo da Copa é colocar mercadoria na vitrine. Não fugimos disso aí. Se aparecer uma boa proposta, por que não negociar? Temos uma capacidade de reposição muito boa", diz Prates. Entre os destaques do Tubarão estão os atacantes Ramon e Felipe Rafael, de 17 e 18 anos, respectivamente, e o volante Alessandro, de 17. Felipe Rafael e o goleiro Lucas devem reforçar o time profissional que disputa o Parananense.

O assédio de empresários já não é bem visto pelos clubes da capital. O Atlético prefere manter a Copinha como parte da formação de seus atletas. "Vamos para medir forças com outros clubes, se estamos no caminho certo. Vamos para dar sequência na formação do atleta, não para vendê-lo", afirma o coordenador das categorias de base do Furacão, Ricardo Drubscky. A idéia é que revelações como o zagueiro Carlão e o meia Lucas Sotero deem mais lucro ao Rubro-Negro no time profissional.

Mesmo plano possui o Verdão, que tem em Keirrison seu mais recente exemplo de talento revelado na Copa São Paulo e que rendeu bons frutos no time principal. O K9 foi o artilheiro da Copinha em 2006, com sete gols e do Brasileirão do ano passado, com 21 gols. "Temos essa tradição em revelar talentos. Os títulos são consequência. Neste ano temos os meias Talisson, André e Lucas Viccari se destacando, além do Lucas Michel (zagueiro), que participou da campanha da Série A em 2008", enumera o coordenador das categorias de base do clube, Mário André Mazzuco.

O dirigente conta que os atletas do clube são orientados sobre o assédio que vão enfrentar e que o Coxa tem o cuidado de firmar contratos longos para assegurar que o jogador só saia do Alto da Glória com uma boa compensação para o clube.

O Paraná, por sua vez, não quer saber de negociar jogadores da base. Para a Copinha, foram "blindados", como define o vice-presidente das categoria de base, Marlo Litwinski. "Ajustamos todos os contratos e somos procuradores de todos os atletas", explicou.

O volante Elvis, que atuou no time principal este ano e deve voltar para reforçar a equipe de Paulo Comelli é o destaque do Tricolor na competição e já sabe como lidar com possíveis propostas. "Estou preparado. Se aparecer algo bom, vamos sentar com o clube e conversar, se for algo bom para todos."

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