Dois times e jogos dia sim, dia não por competições diferentes. Ao que tudo indica, essa será a realidade do Paraná em 2012. Tudo por causa do rebaixamento no Estadual, sacramentado no fim de semana passado após o empate por 2 a 2 com o Arapongas.
Se o clube não conseguir reverter a queda na Justiça Desportiva (aguarda o julgamento do Rio Branco por uso de jogador irregular), terá de acumular duas competições simultaneamente, já que a Federação Paranaense de Futebol (FPF) é enfática ao dizer que o calendário da Série Prata do ano que vem não irá mudar.
Tradicionalmente, a Divisão de Acesso começa apenas em maio, exatamente na mesma época de início do Brasileirão das séries A e B. Ou seja, mesmo que consiga o acesso na competição nacional, o Paraná sofrerá com o conflito de datas.
Para os dirigentes da FPF vai restar ao Tricolor montar dois times diferentes para disputar as competições. "O calendário vai continuar o mesmo. Temos uma programação definida para as três divisões e não tem como mudar", diz o presidente da entidade, Hélio Cury.
"Tudo segue normal como sempre foi. O Paraná vai ter de mesclar atletas e ter uma boa equipe de base para administrar essa situação", reforça o vice-presidente da FPF, Amilton Stival.
O calendário é apenas um dos problemas que surgem no futuro do Tricolor. As dificuldades financeiras, já existentes no clube, tendem a aumentar sem o dinheiro pago atualmente pela televisão cerca de R$ 800 mil.
"Ano passado deu para pagar tudo sem deixar dívidas, mas agora estamos com dificuldades. Ainda não fechei a folha que preciso", conta o presidente do Serrano, Valdir Canini, que foi obrigado a reduzir o custo de departamento de futebol praticamente pela metade depois do rebaixamento do clube em 2010.
Outros fatores agravantes na crise tricolor são os baixos públicos e rendas que caracterizam a Série Prata. No ano passado, por exemplo, a média nas partidas da Segunda Divisão foi de apenas 889 pagantes.
"Dependemos dos patrocínios e, às vezes, temos mesmo que botar a mão no bolso", diz João Otávio Simões, vice-presidente do São José, clube que em 2010 teve como maior público em casa apenas 52 pagantes.
Para chamar a atenção dos torcedores, a equipe da região metropolitana apostou nas contratações de medalhões como o lateral Luisinho Netto (ex-Atlético) e os volantes Mozart (ex-Coritiba) e Perdigão (ex-Inter).
No ano que vem, Simões não espera um duelo contra o Tricolor na Segundona. "A ideia não é encontrar o Paraná e sim substituí-lo na Primeira Divisão", diz, otimista, o dirigente.
Tapetão
O julgamento que surge como último recurso paranista para evitar o rebaixamento deve ocorrer na próxima semana. Segundo o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR), Peterson Morosko, o processo q ue julga o Rio Branco pela escalação irregular do meia Adriano tende a ocorrer na terça-feira. O jogador foi registrado de forma errada e o time do litoral corre o risco de perder até 22 pontos no Paranaense, o que favorece diretamente o Tricolor. Em primeira instância, a equipe parnanguara recebeu uma multa de R$ 27,5 mil.



