
Mesmo com os estádios cada vez mais dominados por sócios, dirigentes de Atlético, Coritiba e Paraná dizem acreditar que a nova relação entre o torcedor e o clube do coração não provocará uma elitização do esporte. Pelo menos, não ao ponto de expulsar, completamente, os fãs de baixa renda das praças esportivas.
Atualmente, quase não se paga ingresso na bilheteria para ir aos jogos em Curitiba. No último compromisso do Alviverde no Alto da Glória, somente 6,5% dos coxas-brancas foram aos guichês. No do Rubro-Negro, 7,9%. Os paranistas são os que compraram mais entradas avulsas: 37,9% do total.
Cenário, em boa parte, fruto da política dos clubes de aumentar o custo dos bilhetes para "forçar" as associações. Atualmente, a entrada inteira mais barata para ver o Coritiba custa R$ 95. No caso do Atlético, R$ 100 no início de maio, Mario Celso Petraglia, presidente rubro-negro, afirmou que com a Baixada pronta a entrada será de R$ 300. Majoração que, de acordo com os dirigentes, não deve alcançar os esquemas de fidelização.
O Alviverde e o Tricolor já disponibilizam preços variados. "O Coritiba tem essa preocupação de atender a todas as faixas econômicas. Basta ver que temos uma opção de R$ 9,90, pensando naquele coxa-branca que não pode ir sempre ao Couto Pereira", afirma José Rodolfo Leite, superintendente do clube.
Na Vila Capanema, a disposição parece ir além. "Nós entendemos que a nossa torcida é do povo, pela história do clube, que foi formado por vários times, de origens diversas. Nossa intenção é privilegiar o sócio, sem jamais elitizar", garante Vladimir Carvalho, vice-presidente de marketing paranista.
Somente o Rubro-Negro não possui um esquema diversificado até porque, espera a conclusão da Arena para a Copa do Mundo para pensar no assunto. Hoje há apenas uma modalidade, por R$ 70 (ou R$ 35 para menor dependente). No entanto, o clube estuda outras alternativas.
"É preciso ter inteligência para ter setores com preços diferenciados, para atender a todos os poderes aquisitivos que queiram contribuir. Estamos pensando em maneiras de conquistar todo o mercado de atleticanos", afirma Mauro Holzmann, diretor de comunicação do Furacão.
E associar-se deverá, em breve, ser mesmo a única forma viável de acompanhar futebol ao vivo. Basicamente, funcionará assim: os clubes reservarão 80% (ou mais) de suas praças esportivas para associados e o restante dos bilhetes será vendido por valores elevados.
"Serão preços astronômicos. Para atender aos locais nobres, reservados para empresas, turistas, etc. Eu sei que é um tema complicado no Brasil. Mas é uma tendência, algo que acontece na Europa", prevê Amir Sommogi, diretor da área de consultoria esportiva da BDO.
Inclinação ainda mais forte no Brasil com a reforma e a construção de estádios para o Mundial de 2014. Arenas projetadas para serem modernas e com manutenção alta.



