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Brasileiro

Renato Gaúcho chega com pose de boleiro, mas durão

Técnico chega ao Rubro-Negro evitando brincadeiras e promessas grandiosas, mas garante que “o Atlético sairá dessa situação”

Renato Gaúcho recebe a camisa 10 do Atlético personalizada: apresentação com direito a nome e fotografia no banner do clube | Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo
Renato Gaúcho recebe a camisa 10 do Atlético personalizada: apresentação com direito a nome e fotografia no banner do clube (Foto: Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo)

Renato Gaúcho, 48 anos, assumiu ontem o Atlético sem fugir daquele estilo tão famoso quanto controverso. Logo no primeiro dia com o uniforme rubro-negro, o treinador foi boleiro, vaidoso e paizão – tudo com uma dose elevada de autoconfiança.

"Joguei durante 20 anos e sei o que o jogador gosta e o que não gosta de ouvir. Nessa hora precisa dar um pouco de carinho. [A torcida] não vai ver uma equipe 100% melhorada no sábado [amanhã], mas alguma coisa diferente vai ter", garantiu ele.

"Pior do que está, certamente não vai ficar. Não tenho varinha mágica e não vai ser da noite para o dia. Não pode inventar agora, tem que ser degrau a degrau. Tem de tirar o time dessa situação e isso vai acontecer", seguiu.

Comandante do lanterna, time com um mísero ponto na tabela, o substituto de Adilson Batista também se mostrou estiloso no figurino. Diante de uma sala de imprensa com mais jornalistas que o normal, exibiu sua marca no banner dos patrocinadores do Furacão – uma caricatura estilizada.

Para completar, exigiu um agasalho com as iniciais "RG", repetindo o visual de técnicos consagrados como Muricy Ramalho e Luiz Felipe Scolari.

Apenas o modo brincalhão – segundo o próprio RG – ficou para os próximos dias. De acordo com o novo técnico atleticano, "a hora e o dia não são propícios". Nada, porém, que em alguns momentos não lembrasse o Renato Gaúcho boleiro. "Se [o jogador] estiver exagerando lá fora, pode ter certeza de que nenhum deles vai me enganar. Eu leio o pensamento deles, já passei por isso", avisou.

Esse método, de jogador para jogador, é o trunfo principal para salvar a equipe. Primeiro o comprometimento e a confiança. Os resultados vêm depois.

"Vou implantar algumas re­­gras. Procuro me informar do que ele [jogador] faz lá fora e cobro aqui dentro. Ele precisa dar respostas nos treinos e durante os jogos", mandou o recado. "No futebol, a confiança é tudo", emendou. O segredo ele tem na ponta da língua: "Confio muito em mim e nas pessoas que trabalham comigo."

Mas como a fase do Atlético é difícil, preferiu se esquivar de compromissos grandiosos. "Não adianta falar coisas que, no momento, não são propícias, como Sul-Americana e Libertadores. Seria suicídio. Não precisamos enganar ninguém. No momento, a realidade é tirar o Atlético da zona de rebaixamento", disse, na contramão do discurso otimista do diretor de futebol Alfredo Ibiapina.

Apesar disso, não fugiu de uma promessa. "Não vai ser da noite para o dia, mas o torcedor pode ficar tranquilo que o Atlético vai sair dessa situação."

O tempo, entretanto, corre contra Renato. Com apenas um dia para treinar antes da partida de amanhã contra o Avaí, na Arena, ele pretende consertar a equipe na base da conversa. Verbo não vai faltar.

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