Assim, de supetão, pode ser difícil lembrar: era a penúltima rodada da primeira fase do Brasileiro de 2002. O Coritiba enfrentava o Figueirense precisando vencer para se classificar, mas nem chegou a tocar na bola quando um atacante rápido, de estatura média, se meteu no meio da zaga alviverde para, aos 20 segundos de partida, escorar um cruzamento e deixar o Couto Pereira em silêncio.
O jogador em questão era Thiago Gentil, que hoje será apresentado no CT da Graciosa como o novo reforço do Coxa para o Campeonato Brasileiro. Aquele gol, há sete anos, acabou sendo o mais rápido da competição. Mas, para o Coritiba, sabor mais amargo Gentil deixou ao marcar o segundo tento dos catarinenses.
A derrota em casa por 2 a 1 para o Figueira seguida pelo revés em Brasília, por 4 a 0, para o rebaixado Gama, resultou na eliminação do time do Alto da Glória. O Alviverde deu lugar ao Santos nos mata-matas, e o time que revelava Robinho, Diego, entre outros, ainda acabou campeão. Thiago Gentil lembra bem disso, pois aquele foi o melhor ano de sua carreira.
"Foi um momento bom para mim, pois estava em ascensão. Saí como o artilheiro do time, daí voltei para o Palmeiras, que tinha caído, e já subimos", lembra o jogador que, olhando para trás, busca a inspiração para o retorno ao Brasil.
Embora tenha jogado por três meses novamente no Figueirense, no ano retrasado, e tenha passagens rápidas pelo Santa Cruz e Palmeiras, Gentil considera aquele o seu último momento verdadeiramente brasileiro. Depois o atacante passou por Arábia Saudita, Coreia, Espanha e Grécia, sem muito sucesso.
Da época estrangeira, o episódio mais marcante foi de quando jogava no Alavés, da Espanha, em 2007. O clube foi rebaixado e deu o calote em todo mundo.
"Teve briga de jogador com o presidente, que era um ucraniano. Daí o clube foi vendido e, como os salários eram altos, queriam diminuir pela metade. Alguns jogadores, entre eles eu, não aceitaram. Então eles não nos pagaram mais e isso ainda está na Justiça", lembra o jogador.
Na Grécia, no Arias clube ao qual tem contrato até o dia 31 de junho , o atleta não conseguiu se firmar como titular. Esse seria um dos motivos do retorno desse avante veloz, que conduz bem a bola e, via de regra, não tem medo de chutar para o gol. Já a decisão pelo Coritiba para ser o palco da reviravolta na carreira foi tomada principalmente pelas referências que teve do amigo Rodrigo Pontes.
"Conheço o Rodrigo Pontes desde pequeno e ele me falou coisas maravilhosas do Coritiba. Eu tinha outras propostas, mas isso ajudou bastante na decisão", revelou o atleta, que não escondia a felicidade pelo acerto. "Fiquei fora por um longo período e estar aqui novamente é um presente."



