
La Paz A decisão da Fifa de proibir a disputa de partidas internacionais em cidades situadas a mais de 2.500 metros acima do nível do mar provocou revolta nos países sul-americanos que serão afetados a medida deverá ser oficializada no 57.º Congresso da Fifa, marcado para amanhã e quinta-feira, em Zurique, na Suíça.
O líder do bloco dos rebeldes é o presidente da Bolívia, Evo Morales, que promete enviar uma delegação à Fifa para defender o direito de realizar jogos na altitude. "Essa decisão contraria a universalidade do esporte. As cidades localizadas em lugares altos não podem ser excluídas do esporte", afirmou.
Evo Morales, que é um entusiasta futebolista nas horas vagas, quer convocar uma reunião em La Paz com autoridades de Equador, Peru e Colômbia, os outros países sul-americanos que seriam afetados pela medida da Fifa. E também pede a solidariedade dos presidentes do Brasil e da Argentina.
O presidente da Federação Equatoriana de Futebol, Luís Chiriboga afirmou que seu país lutará "até a morte" pelo direito de jogar em alturas superiores a 2.500 metros normalmente, o Equador manda seus jogos das Eliminatórias em Quito, que fica 2.850 metros acima do nível do mar.
"Essa decisão é absurda. Nunca houve um caso de jogador que tenha morrido por jogar na altura, mas há registros de mortes por excesso de calor em jogos disputados ao nível do mar", defendeu Chiriboga.
O sopro de esperança de reverter a situação partiu da boca de Luís Bedoya, presidente da Federação Colombiana de Futebol. De Zurique, ele disse que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, admite rever a decisão a pedido da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).
Os países que normalmente sofrem quando jogam na altitude estão esfregando as mãos de alegria. Richard Páez, técnico da seleção venezuelana, disse que a altitude "era um doping" para os países que se aproveitavam dela. Para Kleber Leite, vice-presidente do Flamengo, a medida "é uma vitória do ser humano."



