
A perda de dez colocações no grid do GP da Bélgica, no próximo do Mundial de Fórmula 1, representou uma punição branda demais para Michael Schumacher, da Mercedes. Na 65.ª volta da corrida, ontem, a cinco da bandeirada, Rubens Barrichello, da Williams, entrou no vácuo do alemão e tentou a ultrapassagem na reta dos boxes. Valia o 10.º lugar. Como quase sempre, Schumacher se defendeu além dos limites.Desta vez, expondo ambos a elevado risco de se ferirem com gravidade, por empurrar Rubinho até a milímetros do muro. "Bandeira preta (desclassificação) para ele", gritou Rubinho, na hora, pelo rádio.
O mais incrível foi a postura de Schumacher. "Penso não ter feito nada de errado", afirmou. "Todo piloto aqui sabe que eu não distribuo presentes para ninguém, não importa se lutando pelo primeiro ou o 10.º lugar." Estava falando a verdade: no GP da Europa de 2001, em Nurburgring, ao lado de onde nasceu, quase mata o próprio irmão, Ralf, da Williams, por fazer exatamente o mesmo, espremê-lo no muro a cerca de 300 km/h. E completou: "Não acho que minha manobra foi perigosa."
A imprensa internacional cercou Rubinho no fim da corrida. "Se fosse um menino de 23 anos que fizesse isso, poderia talvez entender. Mas vindo dele não me surpreende", afirmou. "Ficou três anos de fora da Fórmula 1 e voltou exatamente o mesmo."
Ao ficar sabendo que Schumacher vai perder dez colocações no grid em Spa-Francorchamps, Lucas Di Grassi, da Virgin, disse: "Como ele costuma largar em 11.º, 12.º, quer dizer que vai sair do nosso lado, lá atrás, colocando-nos em risco também". Essa é a imagem de Schumacher hoje, depois de 12 etapas desde a sua volta.



