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Paraná

Seis desafios para a Gralha voar alto

Aquilino Romani e José Alves Machado disputam hoje, nas urnas, a presidência do Tricolor. Ao novo presidente, um pacote de tarefas para fazer o clube crescer

O Paraná conhecerá hoje o seu nono presidente em quase 20 anos de história. Aramis Tissot, Darci Piana, Ocimar Bolicenho, Ernani Buchman, Dilso Rossi, Ênio Ribeiro, José Carlos de Miranda (duas vezes) e Aurival Correia (até o fim do ano) já comandaram o clube. No biênio 2010/2011, será a vez de José Alves Machado ou Aquilino Romani.

Período de desafios tão complicados como, possivelmente, nenhum dos antigos ocupantes do cargo conheceu. Nascido como uma potência da fusão entre Pinheiros e Colo­­rado, o Tricolor teve a supremacia do futebol paranaense nos anos 90.

Na década seguinte, foram raros os bons momentos, com destaque para a classificação para a Libertadores da América em 2007. Ao final da década, despencou. Veio o rebaixamento para a Segunda Divisão, em 2008, e desde então são dois anos flertando com a Terceira.

"Sabemos muito bem das questões que envolvem o clube. Fizemos uma boa campanha, tivemos apoio total, estou muito animado para articular o trabalho", diz Romani.

"Fiquei surpreso com a receptividade. E vejo condições de vitória, infelizmente. Infelizmente porque são muitas as dificuldades. Mas o desejo de reerguer o clube também é grande", aponta Machado.

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Retornar à Série A (sem dinheiro e sem time)

Não há desejo maior para o torcedor paranista. Da mesma forma, não há melhor impulso para a instituição. Para tanto, o Tricolor terá de mostrar bem mais do que fez em 2008, ano de retorno à Segundona, quando sequer sonhou com o acesso. E um "pouco mais" do que fez este ano, marcado por um início muito ruim e a boa recuperação no final.Tudo começa pela montagem da equipe. "É preciso um bom planejamento. Alguns jogadores são aproveitáveis, outros não.

O Paraná deve formar uma base já no Estadual", aponta Airton Cordeiro, colunista da Gazeta do Povo.

O problema é que do elenco que disputou a Série B, 21 atletas têm seus contratos vencendo ao final do ano. Dos titulares, apenas o lateral-direito Murilo tem vínculo até o ano que vem. Para piorar, o clube deve fechar o ano com cerca de R$ 3 milhões de dívida, segundo Waldomiro Gayer Neto, vice-presidente financeiro. E tem certo para 2010 apenas o dinheiro das cotas de televisão, pouco mais de R$ 1 milhão.

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Encontrar um novo parceiro (ou se virar sem ele)

"Atualmente, é impossível fazer futebol sem parcerias". Essa frase fez parte do discurso dos dois candidatos à presidência do Paraná. Restará ao eleito conduzir a questão bem melhor do que tem acontecido no Durival Britto e Silva.

Mais do que a campanha ruim, o segundo ano do Tricolor pela Série B ficou marcado por disputas de poder nos bastidores. De um lado, a L.A. Sports, parceira da equipe profissional; do outro, a Base, responsável pelas categorias inferiores; e no centro da questão, as vagas de titular na equipe principal.

Confusão que fez a empresa de Luiz Alberto de Oliveira desistir de acompanhar o Paraná na próxima temporada – e assim, carregar os principais destaques do Tricolor na competição para o Avaí, seu outro parceiro. E que, se em um primeiro momento, devolve o sossego à Vila Capanema, obriga os paranistas a procurar um novo parceiro, ou aprender a tocar a vida sozinho.

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Resgatar o apoio das arquibancadas

A média de público do Paraná vem caindo ano a ano, especialmente após o rebaixamento para a Segunda Divisão. Em 2008, primeiro ano de Série B, o Tricolor ficou em 10.° lugar em comparecimento. Foram 19 partidas e média de 4.401 torcedores, segundo o site da CBF. Este ano, piorou. Até agora, em 16 jogos, a média foi de 3.827. Em 2007, ainda na Série A, a média ficou em 8.766 pessoas, na campanha que levou a equipe à Libertadores. Um passo importante será reforçar o número de sócios-torcedores. Apesar dos preços acessíveis, o Sempre Paraná não decolou e o clube fecha o ano com somente 2.087 associados em dia, o que representa uma arrecadação de cerca de R$ 55 mil mensais.

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Dar um fim à disputa com a Rede pela vila

No início do mês passado, a questão envolvendo a posse do terreno da Vila Capanema teve um novo capítulo. O juiz federal João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional da 4.a região, anulou a decisão tomada em primeira instância, que havia reconhecido a usucapião pelo Paraná, réu no processo ajuizado pela Rede Ferroviária Federal.

O caso foi redistribuído a uma das Varas Federais da Subseção Judiciária de Curitiba. "Acredito que isso ainda vai demorar. É um caso muito complexo, com mais de quatro mil páginas. Um escritório terceirizado cuida do assunto, mas estamos atentos", comenta César Augusto de Mello, vice-presidente jurídico do Tricolor.

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Não esquecer do social

Diferentemente de Atlético e Coritiba, o Paraná também é um clube social. Apesar de separar as questões da sociedade da bola (incluindo o caixa), é sempre uma preocupação a mais para o presidente. Até porque, o clube também precisa de uma reformulação. Em 2008, o social deu prejuízo – representou no balanço do Tricolor um déficit em torno de R$ 300 mil, muito em virtude de obras realizadas. Já este ano, as contas estão equilibradas. Porém, algumas demandas são urgentes.

A principal delas é a construção de um estacionamento para a sede da Av. Kennedy. A falta de um lugar para deixar o carro tem afastado atuais e potenciais associados. Projeto que já existe e está nas mãos da prefeitura de Curitiba, à espera de uma liberação.

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Voltar a revelar e vencer na base

Esta também nas mãos do novo presidente fazer "engrenar" a molecada paranista. Em 2009, as categorias inferiores do clube não se aproximaram de nenhum título nas competições que disputaram. A melhor aparição foi uma ida às oitavas de final da Copa São Paulo. Desempenho que também não chamou a atenção na revelação de jogadores. O goleiro Rodolfo e os meias Bruninho e Elvis chegaram a empolgar a torcida, mas ainda não emplacaram no time de cima.

"Dos 143 atletas que o Paraná possuía na base quando assumimos (início do ano), trocamos 118. Da equipe de juniores, dos 27, apenas 2 ficaram. Foi uma reformulação grande, uma revolução. Acredito que a transição complicou. Prevejo para o ano que vem resultados melhores", diz Marlo Litwinski, sócio da Base, empresa que cuida da garotada tricolor.

O clube tem direito a dois gestores nas categorias de base, vagas hoje não preenchidas. Em caso de vitória de Romani, Ary Marques, fora do clube desde o ano passado, deve excercer essa função.

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