
Após 24 anos, o Brasil voltou ontem a uma final de Olimpíada, no mítico Estádio de Wembley. Diante do México, era o favorito para, enfim, conquistar a medalha de ouro inédita. Ao fim da partida, com o triunfo do adversário por 2 a 1, aos brasileiros restaram a prata e um incômodo zumbido.
"Foi uma derrota pior ainda para o nosso time, que todo mundo não para quieto um segundo, está sempre brincando. Ficamos no vestiário depois do jogo escutando o barulho dos mosquitos", comentou Neymar.
Ainda no gramado, depois do apito final do árbitro, o atacante do Santos era um dos mais abalados. Como a maioria dos companheiros, custava a acreditar na festa da zebra mexicana. Sentado no gramado, viu atônito a festa dos rivais. Não chorou, mas quase.
Estrela entre os convocados para os Jogos de Londres, Neymar desapontou outra vez em um momento crucial com a camisa amarela apesar dos três gols marcados. Repetiu o que aconteceu na Copa América do ano passado, com a desclassificação para o Paraguai.
Foi também o segundo fracasso importante do técnico Mano Menezes que, agora, tem futuro incerto no cargo. E significou a terceira frustração do Brasil no confronto que decide o lugar mais alto do pódio.
Na última decisão que o país disputou, em Seul (1988) a União Soviética ficou com o ouro, ao vencer por 2 a 1. Quatro anos antes, em Los Angeles, a França pôs no peito a medalha mais valiosa, com o placar de 2 a 0.
"Vida que segue. Vamos pensar nas pessoas que gostam mesmo da gente. Não apenas na hora de pedir, mas nas horas difíceis. Não é o fim do mundo. Infelizmente, não conseguimos", declarou o zagueiro e capitão Thiago Silva.
Revés em uma competição na qual o Brasil só enfrentou seleções inexpressivas, exceto por ontem. Venceu Egito, Bielorrússia, Nova Zelândia, Honduras e Coreia do Sul até encontrar com os mexicanos.
De quebra, os brasileiros ainda contaram com o fiasco de Uruguai e Espanha. Igualmente favorita ao ouro, a dupla caiu ainda na fase inicial.
Pacote do insucesso que repercutirá além da provável mudança no comando técnico o presidente da CBF, José Maria Marín, nunca garantiu Mano na seleção e deixou ontem Wembley visivelmente irritado.
Também reforça as dúvidas sobre a capacidade da geração que estará na Copa do Mundo de 2014, daqui a somente dois anos. Isso porque a base do conjunto principal foi à Inglaterra.
Para piorar, o Brasil volta a campo já na próxima quarta-feira, contra a Suécia, em Estocolmo. Era para ser um amistoso de festa, no evento derradeiro do Estádio Rasunda, palco do primeiro título mundial canarinho, em 1958.
Vai marcar o sepultamento do sonho olímpico e, quem sabe, o último compromisso de Mano Menezes à frente da equipe.




