
Eram 45 minutos do segundo tempo e Marta prendia a bola perto da bandeirinha de escanteio para gastar o tempo. Retrato da estreia do Brasil na Alemanha vitória no sufoco por 1 a 0 sobre a Austrália, encerrando de forma melancólica a primeira rodada mais magra da história das Copas do Mundo.
Esqueça as goleadas homéricas de outros tempos e com direito a show. O que se viu até agora nos oito primeiros jogos do sexto Mundial da Fifa foram empates inesperados e resultados apertados por todos os cantos. O placar mais elástico foi o 2 a 0 dos Estados Unidos sobre a Coreia do Norte. A média de gols, sempre acima de três, por enquanto está em 1,7 por jogo.
Ontem, em Mönchengladbach, o técnico Kleiton Lima cumpriu o que prometeu. Entrou em campo com três zagueiras e reforçou a marcação. Mas o ataque ficou só. Marta, apagada, mais reclamou do que jogou. Mas a verdade é que o time todo foi mal. Muito erros de passes e pouca inspiração se uniram ao nervosismo da estreia. E a seleção quase emperrou.
Em um lampejo daquele futebol bonito que as meninas brasileiras costumam mostrar, Cristiane fez boa jogada e a bola sobrou para Rosana, que fintou e bateu de primeira, fazendo o único gol, no segundo tempo. "O resultado mostra que nosso time é aguerrido, que briga. Quando não vai pela técnica, vai pela raça", definiu a lateral Rosana.
No fim, mais alívio do que festa pela vitória. E a tradição mantida de sempre vencer em suas estreias pelo Mundial feminino. "A Copa está equilibrada. Sabia que o jogo ia ser pegado. Não é molezinha não", disse a atacante Cristiane.
O próximo compromisso da seleção é no domingo contra a Noruega, que estreou com vitória sobre a Guiné Equatorial, também por 1 a 0. "Estamos acostumados a enfrentar a Noruega. Não vai ser fácil. Mas, com a nossa união, vai dar tudo certo", resumiu Rosana, a salvadora do dia.



