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Vôlei de praia

Sem renovação, Paraná só tem o ídolo Emanuel na etapa de Curitiba

Apesar de contar com um campeão olímpico como modelo, estado sofre com a falta de estrutura para revelar novos talentos

O paranaense Emanuel e o parceiro Alison acompanharam o início da etapa de Curitiba do Circuito Nacional: campeão olímpico culpa falta de uma competição estadual forte pela ausência de jovens talentos | Walter Alves/Gazeta do Povo
O paranaense Emanuel e o parceiro Alison acompanharam o início da etapa de Curitiba do Circuito Nacional: campeão olímpico culpa falta de uma competição estadual forte pela ausência de jovens talentos (Foto: Walter Alves/Gazeta do Povo)

Ser o melhor jogador do mundo na década de 1990, ganhar a primeira medalha de ouro olím­­pica brasileira no vôlei de praia e ter vencido nove vezes o circuito mundial não foi o suficiente para Emanuel fazer es­­cola no vôlei de praia em sua terra natal.

Tanto que, fora ele, só a parnanguara Ághata representará o Paraná na etapa de Curitiba do Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia, que tem as disputas principais a partir das 9 horas de hoje na arena montada no Parque Barigui. Ao todo, são 36 duplas (18 no masculino, 18 no feminino), 24 pré-classificadas e 12 que disputaram o qualifying, ontem. Dos 33 atletas do Paraná que tentaram uma vaga na chave principal, nenhum passou da etapa classificatória.

Quem chegou mais perto foi o curitibano Raphael, que tem como dupla o veterano Pará, cam­­peão mundial em 1997, mas eles perderam uma das seis vagas na rodada decisiva. O paranaense já compôs uma das principais duplas do estado, ao lado de Arthur. Foram tetracampeões estaduais, mas, pela falta de patrocínio, Arthur deixou de competir. "Recebi uma proposta de emprego como engenheiro civil e decidi pela estabilidade financeira", conta o maringaense. Sem encontrar um novo parceiro à altura no Paraná, Ra­­phael migrou para o Rio, onde jogou com Bernardo em 2010 e, agora, com Pará.

Em dois anos no Rio, o jogador diz ter evoluído tecnicamente. "Lá temos uma boa estrutura, conseguimos marcar amistosos com os principais atletas do ranking. Aqui [no Paraná] falta uma política de investimento no esporte, seja na base ou no [de alto] rendimento, por parte do estado, falta apoio do setor privado, que ainda acha que patrocínio é doação de dinheiro".

O principal polo da modalidade no estado está bem longe de seu hábitat: em Maringá, a 560 km do litoral. "O projeto existe há 14 anos, mas só com a inauguração da Vila Olímpica [em 2009] é que conseguimos fixar os atletas no vôlei de praia, oferecer estudo e condição de treino", diz o técnico do projeto, Robson Xavier.

Mas ainda é pouco. Falta verba para bancar as viagens para competir pelo país. Tanto que, para a etapa curitibana do circuito nacional, Robson optou por ficar em Maringá e não acompanhar as suas três duplas no qualifying. "Essa verba pode ajudar em uma próxima viagem", diz.

Para o ídolo Emanuel, a au­­sência de novos talentos no estado é reflexo da falta de um circuito estadual forte. "É onde os times se testam, se motivam para competições maiores", opina. O presidente da Federação Pa­­ranaense de Vôlei, Neuri Bar­­bieri discorda que a modalidade no Paraná não tenha se beneficiado do sucesso de Emanuel e afirma que dias melhores virão. "Ainda bem que o nosso maior representante [Emanuel] ainda não parou. Mas, hoje, somos o quarto melhor estado na categoria sub-21. Claro que nos preocupamos em não ter um novo grande talento. Mas o Brasil ainda não teve esse novo talento", diz.

Serviço:

4ª Etapa do Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia, no Parque Barigui, a partir das 9 horas. Entrada gratuita.

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