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Badminton

Sem trégua ao corpo mole

Oito atletas, de Coreia do Sul, China e Indonésia, são desclassificadas por “entregar” o jogo em troca de um caminho mais fácil até a final

Pouco antes dos Jogos Olímpicos, o técnico Mano Menezes deu uma declaração que gerou desconforto na delegação brasileira em Londres. Para o treinador, com o tempo, o espírito olímpico acabou se deturpando – sobretudo no futebol – e, hoje em dia, o que contaria mesmo no final é vencer, não mais competir.

Vencer a todo custo, entretanto, é uma ideia que tem sido reprimida nesta Olimpíada. Ontem, quatro duplas femininas de Badminton (duas da Coreia do Sul, uma da China e uma da Indonésia) foram desclassificadas dos Jogos. O motivo: terem feito "corpo mole". Para evitar confrontos mais complicados nas quartas de final, elas tentaram "entregar" seus jogos na fase de grupo. Assim, sobe para 14 o número de atletas cortados por doping ou má conduta em Londres.

O anúncio foi feito pela Federação Internacional de Badminton, que lamentou o episódio e justificou a decisão com base em dois tópicos do código esportivo dos atletas: "não se esforçar ao máximo para vencer uma partida e atuar de maneira que é claramente abusiva ou prejudicial ao esporte".

Entre as excluídas estão as chinesas Yu Yang e Wang Xiaoli, líderes do ranking mundial. Sob vaias da torcida e num jogo de muitos erros – de ambos os lados – elas foram derrotadas na terça-feira por 2 a 0 para as sul-coreanas Jung Ky-ung e Kim Ha-na. Com isso, deixariam de pegar, antes da final, as também chinesas Tian Qing e Zhao Yunlei, vice-líderes do ranking.

"Eram oponentes realmente fortes. Como já estávamos classificadas, queríamos guardar energia", tentou se justificar a chinesa Yu Yang, depois do jogo, conforme publicou o site do jornal inglês The Guardian. Já o técnico das sul-coreanas, Sung Han-kook, reconheceu a "entrega", mas jogou a culpa para as adversárias: "Se as chinesas tivessem jogado certo, isso não teria acontecido. Então fizemos o mesmo".

Além de Yu Yang, Wang Xiaoli, Jung Ky-ung e Kim Ha-na, completam a lista de cortadas as sul-coreanas Ha Jung-Eun e Kim Min-Jung, e as indonésias Meiliana Juahari e Greysia Polii, que se enfrentaram nas mesmas circunstâncias.

Além das baixas no badminton, outros dois participantes foram banidos dos Jogos por racismo: a saltadora grega Paraskevi Papahristou, que ofendeu imigrantes africanos, e o jogador de futebol suíço Michel Morganella, por ter chamado os sul-coreanos de retardados mentais, depois de sua seleção ser derrotada pelos asiáticos. Os dois insultos foram postados na rede de microblogs Twitter.

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