
Duzentas etapas, seis parceiros, 70 primeiros lugares e 15 anos após o primeiro título, Emanuel desembarcou ontem no Brasil em uma nova categoria. A inédita décima conquista no circuito internacional reforçou a soberania do curitibano na areia, seu habitat natural.
O atleta mais vitorioso do vôlei de praia no planeta se igualou a outro fenômeno esportivo: o surfista norte-americano Kelly Slatter, também no incomum patamar de decacampeão mundial.
A saga do paranaense no circuito foi construída pelos cinco continentes, em 59 cidades diferentes e com o primeiro lugar em 37 delas. Um cidadão do mundo. Incansável aos 38 anos de idade.
"É uma emoção diferente, uma marca significativa, me faz lembrar cada uma das conquistas, que estão mais vivas do que nunca agora na minha memória", comemora o atleta, que nem precisou do primeiro lugar do pódio para ficar com a taça antecipada da temporada. O terceiro lugar em Aland, na Finlândia, no último fim de semana, foi suficiente para coroar uma campanha arrebatadora em 2011.
Ao lado do parceiro Alison, de 25 anos, Emanuel disputou 76 partidas, venceu 68 vezes (89,5% de aproveitamento), com apenas nove derrotas 121 sets conquistados dos 148 disputados (81,8%).
"Chegar ao topo de novo me deixa feliz, certo de que estamos fazendo um trabalho bacana. Esta é uma medalha especial, com certeza, vai ter um lugar de destaque porque foi a coroação de um trabalho duro que fizemos ao longo do Circuito Mundial", afirma o curitibano, que participou da transformação da modalidade.
"Faz 15 anos da minha primeira conquista, em 1996. Era uma outra época, o vôlei de praia era muito diferente; e é bom ver como a modalidade evoluiu. Quando comecei a competir, no início dos anos 90, não imaginava onde o esporte iria chegar", confessa o também tricampeão do Mundial disputado a cada dois anos e que ele faturou em 1999, 2003 e 2011.
Em tanto tempo de estrada, Emanuel sofreu com a saudade, que hoje consegue aliviar de novas formas. "Há 20 anos, tinha de escrever uma carta e tentar arranjar um fax para mandar para a família. Hoje a tecnologia ajudou muito e você consegue ver a pessoa mesmo estando do outro lado do mundo", conta o jogador, que assim acompanha as notícias do pequeno Lukas, seu filho com a ex-jogadora Leila, que completa um ano em setembro. Ele também é pai de Mateus, com 14 anos.
A trajetória de títulos no circuito mundial começou com Zé Marco e as vitórias em 96 e 97. Em 99, foi campeão ao lado de Loiola. Com Tande, venceu em 2001. Depois iniciou a parceria mais vitoriosa, ao lado de Ricardo, com quem conquistou o circuito em 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. A dupla também chegou ao ouro olímpico em Atenas-2004 e ao bronze em Pequim-2008.
Agora ele e Alison estão praticamente garantidos na Olimpíada de Londres-2012, em mais uma escala provavelmente a derradeira que ele espera coroar com nova vitória.




