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Atletismo

Técnicos assumem culpa por doping

Jayme Netto Júnior e Inaldo Sena administraram doses de substância proibida sem a anuência dos atletas. Objetivo não era desempenho, dizem, mas acelerar a recuperação

Os técnicos Jayme Netto Júnior (esq.)  e Inaldo Sena confessam em meio a lágrimas a aplicação da substância proibida eritropoietina (EPO) em seis atletas brasileiros que iriam disputar o Mundial de Berlim | Valéria Gonçalves/AE
Os técnicos Jayme Netto Júnior (esq.) e Inaldo Sena confessam em meio a lágrimas a aplicação da substância proibida eritropoietina (EPO) em seis atletas brasileiros que iriam disputar o Mundial de Berlim (Foto: Valéria Gonçalves/AE)

Bragança Paulista - Os técnicos Jayme Netto Júnior e Inaldo Sena admitiram culpa no caso de doping de cinco brasileiros que estavam classificados para a disputa do Mundial de Atletismo de Berlim – com o re­­sultado positivo do exame, todos ficaram de fora do campeonato marcado para começar no dia 15 de agosto. Os dois afirmaram ontem ter concordado com o uso da substância proibida eritropoietina (EPO) para acelerar o processo de recuperação dos atletas.

Com a confissão dos treinadores, a análise da contraprova servirá apenas para oficializar os resultados positivos de Bruno Lins (200 m e revezamento 4x100 m), Jorge Célio Sena (200 m e re­­ve­­zamento 4x100 m), Josiane Tito (revezamento 4x400 m), Luciana França (400 m com barreiras) e Lucimara Silvestre (heptatlo). Todos eles defendem a equipe Rede Atletismo, foram fla­­grados em teste surpresa realizado em 15 de junho, em Pre­­sidente Prudente, no interior de São Paulo, e devem ser suspensos por dois anos.

Jayme Netto, um dos principais técnicos do país e responsável pelos treinos de Bruno, Jorge Célio e Lucimara, afirmou que sua carreira acabou. "A ambição que me levou a fraquejar. Até abril, eu nunca havia permitido qualquer interferência em meu trabalho. Mas perdi o controle", admitiu o treinador. Inaldo Se­­na, que trabalhava com Jo­­siane e Luciana, deve continuar na profissão.

Jayme Netto afirmou que foi convencido por Pedro Balikian Júnior, coordenador do Labora­­tório de Fisiologia do Exercício da Unesp, a utilizar pequenas doses de EPO nos atletas, por meio de injeções na barriga. "Mi­­nha intenção nunca foi melhorar desempenho. Mas ele me mostrou, com inúmeros estudos, que a substância poderia ajudá-los no período de recuperação. Fui ingênuo em permitir e quero acreditar que ele não estava mal-intencionado", disse o técnico.

Os dois técnicos revelaram que outros atletas, além dos que tiveram resultado positivo, utilizaram EPO, mas não foram pegos – 13 testes foram realizados naquele dia. Inaldo Sena che­­gou a dizer que o flagra foi benéfico. "Se tivesse dado certo, talvez o uso da substância ficasse disseminado", explicou. En­­quanto isso, Jayme Netto afirmou que não seus comandados não sabiam do uso da substância proibida. "Eles achavam que eram aminoácidos", contou.

Pedro Balikian, acusado por Jayme Netto de ter ministrado as substâncias ilícitas aos atletas, não foi encontrado para comentar o caso. O fisiologista evitou a imprensa. O técnico Inaldo Sena afirmou que, após ter recebido a confirmação do doping, tentou falar com Pedro Balikian, que é formado em Educação Física pela PUC e doutor em Biologia Funcional e Molecular pela Unicamp. "Foi na segunda à noite. Liguei e ele pediu que retornasse em 30 minutos. Depois não me atendeu mais", revelou. Jayme Netto também não conseguiu encontrá-lo.

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