
Há praticamente um ano, em setembro de 2007, a atual cúpula tricolor começava a trabalhar nos bastidores para derrubar o então presidente José Carlos de Miranda, acusado de levar dinheiro "por fora" na venda de alguns atletas.
Era apenas o fio condutor de uma crise que agora coloca o time da Vila Capanema na 16ª colocação na tabela, seriamente ameaçado de rebaixamento à Terceira Divisão.
"Tudo começou pelo desejo incontido do Vavá (Durval Lara Ribeiro, vice-presidente) de se tornar o dono do futebol", ataca Miranda, ainda ressentido com o ex-colega de diretoria. A LA Sports, ex-parceira na formação da equipe, também sofre com os ataques. "Tem explicação insistirem tanto com Joélson e Zumbi?", indaga, insinuando pressão para escalar jogadores da empresa.
O cartola faz apenas uma auto-crítica. "A minha tentativa de mudar o estatuto dividiu o clube." Na ocasião, ele tentou sem sucesso um terceiro mandato à frente do Tricolor, quando o permitido seria apenas uma reeleição. "Não tomei a medida que deveria ser tomada: afastar aqueles que eram contrários à minha permanência."
Mas a mágoa move o ex-dirigente paranista. "Após um acordo de cavalheiros, entreguei o clube. Seria uma espécie de rainha da Inglaterra até o fim do mandato. E eles, do Grupo de Investimento, assumiriam o futebol. Disse: Se é para o bem de todos e felicidade geral dos paranistas, eu saio. Mas a vaidade e o ódio falaram mais alto. Era para ser uma transição pacífica, porém não foi respeitado o acordo", lembra.
"Uma coisa é ser dono de time de pelada, pagar cerveja e ir com jogador para a zona. Isso não se faz em um clube profissional", segue Miranda, afirmando, sem dar nomes, que muitas "baladas" são bancadas por dirigentes paranistas.
Mas o ex-presidente, que foi suspenso das atividades do clube através de uma sanção administrativa, também recebe críticas dos desafetos.
É o caso de Luiz Alberto, da LA Sports. A negociação nebulosa de Thiago Neves, que pertencia em parte ao agente de jogadores, provocou o fim do "namoro" com o clube hoje resumida à "amizade" com a gestão Aurival Correia, além da utilização dos atletas Leonardo e Fábio Luís.
"A corrupção foi estancada. No entanto, há um trabalho externo feito pelas viúvas do Miranda, que tentam boicotar a administração atual", alfineta. "Houve erros de contratação neste ano? Sem dúvida. Porém, isso faz parte do futebol. Pelo menos a coisa ocorreu de forma honesta", segue, em clara defesa de Vavá o vice de futebol deixou o clube para "se preservar das críticas".
Luiz Alberto diz ainda que a crise institucional afeta diretamente os atletas. "Alguns jogadores da minha empresa tiveram de fazer boletim de ocorrência porque estavam sofrendo ameaças. Não existe tranqüilidade e isso reflete em campo", garante.





