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Drew Brees, quarterback do Saints, com o filho Baylen: primeiro título | Jeff Haynes/ Reuters
Drew Brees, quarterback do Saints, com o filho Baylen: primeiro título| Foto: Jeff Haynes/ Reuters

Se fosse um filme de Hol­­lywood, o Super Bowl 44, realizado domingo em Miami, seria recorde de bilheteria. Além dos ingredientes clássicos, como tensão e reviravoltas na trama, o "mocinho" para quem todos torcem se deu bem no final. O New Orleans Saints, fonte de entretenimento para uma torcida que sobreviveu a um grande desastre natural em 2005, venceu o favorito India­­napolis Colts por 31 a 17 na decisão da NFL. Assistido por 106,5 milhões de espectadores, o jogo tornou-se a maior audiência da história da tevê americana, superando em 500 mil assistentes o episódio final do seriado M*A*S*H, em 1987.

Não que o Colts seja exatamente um representante de forças malignas, mas faz o pa­­pel de vilão na festa do recomeço da comunidade de Nova Orle­­ans, depois da destruição com a passagem do furacão Ka­­trina.

"A torcida sempre nos apoiou e foi a força mo­­triz deste time", disse o quarterback Drew Bre­­es na coletiva de ontem pela manhã, quando recebeu o troféu de melhor jogador da partida. "Não era um sentimento de pressão – depois de tudo que a cidade enfrentou –, e sim uma responsabilidade que carregávamos. Nós devíamos isso a eles, por todo apoio que recebemos."Este é o primeiro título na história de 43 anos do Saints. O time passou por uma reestruturação completa justamente no mesmo ano que a cidade foi devastada pelo furacão. Daí a associação da trajetória da equipe com os esforços dos moradores da região de Nova Orleans, em Louisiana.

Em campo, no fim do primeiro quarto, o ataque do Colts abriu uma vantagem de 10 a 0. Já no segundo, o Saints marcou dois field goals, mas desperdiçou a chance clara de diminuir há apenas uma jarda da endzone. Quando os times saíram para o intervalo, a partida estava nas mãos do Colts. Eles haviam acabado de impedir uma virada do Saints e iriam começar o segundo tempo com a posse de bola.

Para o Saints, era preciso tomar uma atitude. E o técnico Sean Payton resolveu arriscar. No chute inicial que entregaria a posse para o time de Indianápolis, o New Or­­leans entrou com uma jogada que, normalmente, aparece somente em momentos de desespero.

O onside kick é um ponta-pé inicial curto que não tem a intenção normal de entregar a bola para o adversário, e sim busca recuperar a posse para o time chutador. Pela regra, a bola precisa viajar a distância de dez jardas para ser considerada em jogo. E essa bola "viva" pode ser recuperada por qualquer um dos times.

Dificilmente funciona, e caso não dê certo pode se tornar um tiro pela culatra, pois deixa o adversário já na cara do gol. Daí a importância da decisão de Sean Payton. "Antes do jogo, já estava nos planos usar essa tática, só não sabíamos quando", contou o técnico. "Estava tudo calculado, e era um risco que valia a pena ser corrido."

Para a felicidade dos torcedores do Saints, os adversários fo­­ram pegos de surpresa e a posse de bola ficou com Nova Orleans. Seis jogadas depois, o running back Pierre Thomas recebeu um passe curto e marcou o touchdown que colocou o Saints na frente.

O Colts se encontrou com só cin­­co minutos restantes e perdendo por um touchdown. Em uma tentativa de terceira descida, o quarterback Payton Manning forçou um passe e foi interceptado pelo defensor Tracy Porter, que marcou mais seis pontos no retorno e deu ao Saints o placar final de 31 a 17.

Nova Orleans também é conhecida como a capital americana do carnaval. E a vitória do Saints era tudo o que eles precisavam para co­­meçar a festa uma semana antes. Hoje, às 20 horas (horário de Brasília), os jogadores participam de um desfile nas ruas da cidade.

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