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Violência

Torcedor do Coritiba baleado em barbárie reaprende a falar

Atingindo por uma bala de borracha, na confusão generalizada de 6 de dezembro no Couto Pereira, estudante Anderson da Rossa Moura permanece com dificuldade para se expressar e não consegue caminhar

Anderson Rossa Moura, de 19 anos, atingindo na cabeça por um tiro de bala de borracha, durante a confusão generalizada depois da partida entre Coritiba e Fluminense, em 6 de dezembro, está reaprendendo a falar.

O estudante de Gastronomia recebeu alta do Hospital Evangélico, em Curitiba, em 31 de dezembro do ano passado. Desde então, deu início ao processo de recuperação em casa. Sessões de fonoaudiologia e fisioterapia fazem parte da vida do torcedor, que estava acompanhado do irmão no dia da barbárie no Couto Pereira.

Por telefone, André Rossa Moura explicou a transformação da rotina da família e de Anderson. "Ele está reaprendendo a falar. Ele não consegue falar quase nada. O Anderson entende tudo o que a gente fala. Da risada, brinca, mas fica nervoso porque ele quer se expressar, mas não consegue", descreve o irmão do rapaz que passou 15 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Com o apoio de profissionais do Coritiba, o estudante tem acesso, sem custos, às sessões fisio e fono. Por ora, Anderson não consegue caminhar, usa cadeira de rodas para se movimentar pela casa. "Mas os médicos e especialistas estão otimistas. Nossa família acredita também, pois logo que o Anderson chegou ao hospital diziam que ele tinha 99% de chance de morrer. Ele está bem agora, feliz", conta o irmão mais velho.

Nas poucas palavras ditas claramente por Anderson, André garante que o irmão não se lembra do momento em que foi atingido na cabeça por um tiro de borracha que teria partido de uma arma da polícia.

"Ele só lembra de quando estávamos na lanchonete antes do jogo. A lembrança seguinte é de quando ele saiu do coma 15 dias depois", explica.

Depois da tragédia, a rotina da família virou de cabeça para baixo, Evelin, esposa de Anderson, parou de trabalhar para cuidar do marido. A mãe do estudante, Maria Inês, ajuda com o que pode. André e o padrasto se encarregam de levar Anderson às consultas médicas. E Anderson, a vítima da barbárie, ainda não sabe se poderá trabalhar novamente como cozinheiro, função que exercia em hotel de Curitiba do domingo selvageria.

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