
A exatos 150 dias da abertura dos Jogos de Londres, em 27 de julho, o Brasil tem 162 atletas classificados para a disputa olímpica. A delegação tem até 1.º de julho para superar a marca de Pequim, na China (2008), quando enviou 277 competidores. Mas um recorde os brasileiros podem comemorar desde já: o número de torcedores.
Conforme dados divulgados ontem pela agência oficial de turismo no país, 26.831 entradas haviam sido compradas para competições das 39 disciplinas esportivas. A quantia é 40% maior do que os 18 mil bilhetes vendidos na edição da China. Em Atenas (2004), foram 12 mil.
A modalidade mais procurada para o evento londrino é o vôlei (27,4% do total), seguido de vôlei de praia (17%) e basquete (8,8%).
A maior parte da carga foi comprada por empresas, que oferecerão os bilhetes em promoções aos clientes ou a funcionários, coisa bastante comum em se tratando de competições deste nível. A proporção de vendas entre pessoas jurídicas e físicas não é revelada pela Tamoyo Internacional, empresa autorizada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) a vender os tíquetes no Brasil.
Os valores dos bilhetes variam entre 25 e 750 libras esterlinas (entre R$ 67 e R$ 2 mil, respectivamente). A operadora de turismo afirma ter um novo lote de 10 mil ingressos e estima chegar a 50 mil vendas.
Falta de entradas não será um problema para os brasileiros montarem sua torcida em Londres. O principal entrave é o financeiro. "Ainda há disponibilidade de pacotes com boas tarifas. No entanto, é preciso apressar-se para comprar as passagens aéreas. Julho é a alta temporada na cidade. Os hotéis estão com tarifas até 80% acima do normal", explica a diretora executiva do Grupo Interlaken Turismo, em Curitiba, Lucia Fontoura.
Ainda há vagas tanto nos hotéis mais luxuosos quanto nos de menos estrelas. O investimento de um pacote com passagem aérea e estadia varia entre R$ 15,9 mil (seis dias em um hotel duas estrelas) e R$ 83,3 mil (18 dias em locais de luxo).
A compra feita no Brasil possibilita a escolha do evento a acompanhar. Mesma sorte não tiveram os brasileiros que vivem em Londres. Os ingressos destinados aos ingleses foram vendidos via internet em dois lotes (um terceiro deve ser lançado em abril). Mas tinham de indicar os eventos que gostariam de assistir e esperar um sorteio eletrônico, por causa da alta demanda.
"Fiquei um pouco decepcionada com a organização. Os sorteios mudaram de datas várias vezes e o sistema travou. Fui sorteada para ver um dia do judô, apenas uma das minhas opções. A maioria das pessoas aqui esta criticando o processo, pois o Comitê Olímpico diz o tempo todo que a festa é dos londrinos, mas são os que mal conseguiram tickets", diz a consultora em treinamento Bárbara Campos, 34 anos, londrinense que mora nos arredores de Londres.



