
Alguém para filmar, fotografar, carregar a mala, segurar os calçados, trazer a toalha, secar os cabelos. Abraçar na vitória e consolar na derrota. Torcer e torcer muito. Tudo sem ganhar um real (ao contrário, geralmente desembolsando). E ainda assim, ficar muito satisfeito. Está aí o perfil de figuras clássicas da natação: os pais dos atletas.No 18.º Campeonato Brasileiro Juvenil de Natação Troféu Carlos Campos Sobrinho, realizado desde quinta-feira até a manhã deste domingo no Clube Curitibano, não foi diferente. Pais e mães de atletas de todo o país encheram as arquibancadas à beira da piscina.A presença dos familiares é algo comum na carreira dos nadadores, assim como as mães que não desgrudam das filhas candidatas à miss.
Os pais de César Cielo, recordista mundial nos 50 e 100 metros livre, estão constantemente à beira da piscina. Em Atenas, o veterano Gustavo Borges contou com a presença de sua mãe em sua quarta Olimpíada, em 2004.
"A natação é um esporte muito solitário. O atleta enfrenta sua própria pressão, a do técnico, a do clube e da torcida. É importante que ele tenha em quem se apoiar", diz Rose Vilela, mãe de Thiago Pereira, ganhador de oito medalhas (seis de ouro, uma prata e um bronze) no Pan de 2007. A vibração de Rose nas arquibancadas do Parque Aquático Maria Lenk na época chamou tanta atenção quanto o desempenho de seu rebento dentro da água. "Nunca levei cronômetro, tabela de recorde para uma competição. Meu papel é torcer. Para cobrar, ele tem o técnico", acrescenta.
Na competição em Curitiba, via-se mãe dividindo as lágrimas com filha que não atingiu a marca esperada ao lado de pai a buscar o filho no pódio com abraços efusivos. O excesso de apoio, porém, pode resultar na perda de potenciais talentos.
"Às vezes, o pai não entende que o caminho traçado pelo treinador é o mais adequado", lamenta o técnico da Unisanta, de Santos, Fábio Massaini.
Um de seus atletas, Matheus Louro Neto, tem a família presente onde compete. Na sexta-feira, o garoto de 15 anos bateu o recorde do campeonato nos 200 m peito, baixando em 38 centésimos a marca registrada por Henrique Barbosa (atual recordista sul-americano da prova na categoria absoluto) há dez anos, em Curitiba.
A mãe, Ivanil Louro Neto, exibia a medalha com orgulho. A avó, Lauri, exibia reportagens de jornais sobre Matheus. "Faço o que precisar. Saí de Cubatão e aluguei um apartamento em Santos quando ele foi convidado para treinar lá", conta Ivanil, enquanto segurava a mochila, a toalha e o mp3 do garoto.
Ele não fala se aprova ou não da presença materna constante. Nem precisa: ao fim da prova, sua primeira reação foi apontar para a mãe, oferecendo-lhe a vitória. Este ano, foi de carro a Mar Del Plata (Argentina) para ver o filho no Sul-Americano. "Tenho medo de avião. Vou dar um jeito quando ele começar a ir além do Atlântico", brinca.



