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Copa das Confederações

‘Torcida vip’ marca o amistoso da seleção

Ingresso de arquibancada para o duelo na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, custa até R$ 300. Especialistas divergem sobre a estratégia elitista

Jogadores da França durante o treinamento de ontem na Arena do Grêmio, fruto da onda de modernização nos estádios do país | Neco Varella/ EFE
Jogadores da França durante o treinamento de ontem na Arena do Grêmio, fruto da onda de modernização nos estádios do país (Foto: Neco Varella/ EFE)

Assim como ocorreu no Maracanã há uma semana, a seleção brasileira se depara hoje com um novo perfil do torcedor brasileiro. Os fãs das modernas praças esportivas – dispostos a pagar caro para ver futebol – serão os aliados da equipe de Luiz Felipe Scolari no amistoso com a França, às 16 h, na Arena Grêmio.

Para o último compromisso do time nacional antes da estreia na Copa das Confederações, o padrão financeiro dos bilhetes é bem acima da média cobrada no Brasileirão: R$ 23,10.

Se toda a carga de entradas fosse negociada pelo valor integral no duelo internacional desta tarde, inclusive camarotes, a renda chegaria ao inédito R$ 8.723.220,00 milhões – com tíquete valendo em média R$ 166,51.

O preço mais barato à disposição do público saiu a R$ 60, no setor onde fica a geral, atrás do gol. A arquibancada melhor situada, defronte ao meio-campo, ficou a R$ 300.

No domingo passado, no duelo com a Inglaterra (2 a 2), no Rio, a arrecadação total foi de R$ 8.615.430,00, recorde no país. Só para comparar, o Campeonato Paranaense, em 136 jogos, faturou um milhão e meio a menos.

As arenas se destacam pela inflação. O Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, recebeu Santos e Flamengo para a primeira rodada do Brasileirão – no jogo que marcou a despedida de Neymar antes da transferência para o Barcelona – com a entrada mais barata custando R$ 160. O Ba-Vi que reabriu a Fonte Nova teve o ingresso popular a R$ 90, mesmo preço da partida entre Brasil e Inglaterra, a primeira no novo Maracanã, semana passada.

Para o consultor de marketing e gestão esportiva, Amir Somoggi, trata-se de uma mudança de perfil no público. "Não tem só a ida do torcedor comum, mas também traz aquele cara que faz do jogo uma atividade de entretenimento. Leva a família, os amigos e está disposto para gastar os valores agora cobrados e não fazia isso antes, porque não sentia segurança e conforto".

"Falar que não temos número suficiente de torcedores para ocupar é mentira. As pessoas estão ávidas por entretenimento de qualidade e o futebol é puro entretenimento. O problema é que o brasileiro está habituado a ir ao jogo pelo resultado dentro de campo", segue.

"Para atrair o público de baixa renda, deveriam existir pacotes de ingressos mais baratos. Ao invés de comprar um ingresso de R$ 20, o que não é mais possível, você vende um pacote em 12 vezes de R$ 20. Teríamos 5 mil entre 40 mil no estádio pagando o clube antecipadamente", sugere.

Fernando Ferreira, diretor da Pluri Consultoria, tem um posicionamento diferente. Segundo o economista e especialista em gestão e marketing do esporte, eventos como os que estão acontecendo nos últimos dias, com as inaugurações dos novos estádios, são pontos fora da curva e não podem ser tomados como base.

"Nos jogos normais, não há nenhum motivo pra ser otimista. Novos estádios dão condição de ter mais público, mas não é garantia de nada. Fora o efeito novidade, o público acaba sendo baixo do mesmo jeito", fala Ferreira.

"Existe um erro estratégico muito grande, porque não tem público suficiente para isso. Se compararmos a renda com o preço do ingresso, temos o ingresso mais caro do mundo. Tem algumas exceções que permitem o ingresso mais caro: time em boa fase ou histórico de torcida presente, como Corinthians e Atlético-MG, por exemplo. No mais, é um tiro no pé".

"A Alemanha tem US$ 43 mil de renda per capita média, contra 12 mil do Brasil, e oferece muita coisa a mais: times melhores, estrelas, campeonatos muito mais interessantes, serviços em torno do estádio. Tudo é mais interessante. Temos muito que fazer para chegar nesse patamar, mas queremos cobrar o preço deles, com a nossa população arrecadando um terço menos e com um produto muito menos valorizado", critica.

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