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Interior

Três clubes do interior demonstram força caseira entre gigantes

Apesar do calendário curto, Operário, Paranavaí e Londrina conseguem espaço dentro da legião paulista que domina as cidades

O interior do Paraná: José Flausino, santista de Telêmaco; Eduardo Taques e o filho, fãs do Operário; e Vicente, corintiano de Cambará | Fotos: Luciano Mendes/ Gazeta do Povo; Luciano Mendes/ Gazeta do Povo; Marco Martins/ Gazeta do Povo
O interior do Paraná: José Flausino, santista de Telêmaco; Eduardo Taques e o filho, fãs do Operário; e Vicente, corintiano de Cambará (Foto: Fotos: Luciano Mendes/ Gazeta do Povo; Luciano Mendes/ Gazeta do Povo; Marco Martins/ Gazeta do Povo)

A supremacia dos paulistas entre os torcedores paranaenses é um fato, mas há equipes do interior do estado que conseguem furar a regra, se colocando logo abaixo dos gi­gantes. Levantamento da Pa­raná Pesquisas revela que em Ponta Grossa (Campos Gerais), Londrina (Norte) e Paranavaí (Noroeste) os times locais ainda conseguem fazer uma graça na disputa.

Em Ponta Grossa, o Ope­rário é o time do coração de 2,83% da cidade. O Londrina tem a preferência de 2,6% dentro de casa. Já o ACP é citado como clube do coração de 0,55% dos locais.

Alex Augusto Barbosa, de 31 anos, não tem medo de dizer que é um sofredor por ser a exceção dentro de uma cidade com 25% de torcedores do Corinthians. Ele diz acreditar que a falta de calendário para o Tubarão tem desmotivado principalmente as crianças a gostarem do clube. Alex tinha apenas dez anos quando o Londrina foi campeão paranaense em 1992. No entanto, ele reconhece que a situação já não é mais a mesma. "Mas não importa a fase. Se o time morrer, a gente morre com ele", afirma, orgulhoso do amor incondicional.

No Noroeste, o Ver­me­lhi­nho também sente falta dos bons tempos. Em 2007, o time foi campeão paranaense. O mecânico de veículos Oliveiro Poldo, de 58 anos, é fanático pelo time desde a década de 1960. Segundo ele, há cerca de 1.500 torcedores realmente fiéis ao ACP na cidade, que sempre vão aos jogos. Uma ilha em meio à preferência pelos clubes de fora. "Falta um pouco de paixão também. Eu sou um ‘curinga’ do clube. Trabalho como gandula, dando uma força na bilheteria, tudo sem remuneração, só por amor ao time", afirma.

Eduardo Taques Gui­ma­rães, fã do Operário, também é daqueles que gosta de exaltar a paixão pelo Fantasma. "Como o Operário não aparece no restante do ano [depois do Paranaense], as pessoas acabam esquecendo", avalia. Com 32 anos, ele se define torcedor do Fantasma desde 1983, ano em que entrou no Estádio Germano Krüger pela primeira vez, quando tinha apenas três anos.

Eduardo enfrentou algumas situações difíceis, principalmente na década de 1990, quando o Alvinegro chegou a abandonar o futebol por alguns anos. "Mesmo assim, o clube continuou sendo a minha segunda casa. Espero muito mais do Operário, que agora é uma equipe centenária", afirma. Filho de um ex-presidente do clube e irmão do fundador de uma das torcidas organizadas do clube, Eduardo já ensinou o filho de quatro anos, também Eduardo, a torcer pelo Alvinegro. Mais um sinal de força do velho Fantasma.

Telêmaco BorbaBoom santista tem Neymar e ‘herança’ como explicações

"Eu torço para o Santos desde pequeno, mas conheço uma piazada que virou santista por causa do Neymar. Só não assumem que foi por causa disso", conta o jovem Jhonatan Matheus da Cruz Roma, de 12 anos, morador de Telêmaco Borba. O alvinegro de 20 anos é a explicação para, entre 2008 e 2012, o número de torcedores do Santos na cidade ter dobrado. Segundo levantamento da Paraná Pesquisas, apenas 5% dos entrevistados se declaravam santistas em 2008. Agora, são 10%. Alta maior do que no estado, onde o número passou de 4,3% para 5,3%.

Jhonatan herdou o amor à camisa do Santos do tio-avô, João Bosco da Cruz, que nos anos 1960 acompanhava o time paulista pelo rádio. "Eu era criança e ficava ao pé do rádio ouvindo os gols do Santos. Não houve jeito de eu não ser influenciado por isso", comenta. Em 50 anos de paixão pelo clube, viu apenas cinco jogos do Peixe in loco. O primeiro, em 1976, foi o mais doído. Na época, morava em São Paulo, trabalhando como pintor de paredes. Viu da arquibancada a derrota por 3 a 1 para o Internacional, campeão brasileiro daquele ano.

"Eu jamais pensei em largar mão, apesar das fases difíceis. Corremos 17 anos atrás de um título [entre o Paulista de 1984 e o Brasileiro de 2002]. A torcida do time em Santos chegou a colocar as bandeiras de ponta-cabeça como forma de protesto. Mas a minha bandeirinha sempre esteve em pé", conta Bosco, que revela ter sentido o crescimento no número de santistas na região.

Além de Jhonatan, Bosco tem mais três sobrinhos-netos santistas e que sonham com a carreira de jogador. Um deles, José Flausino da Cruz Neto, de 13 anos, ostenta uma cabeleira que lembra a de Neymar. Pura coincidência, diz. "Já faz tempo que eu queria esse corte."

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