
Dificilmente os torcedores de Atlético, Coritiba e Paraná verão muitas novidades nos elencos de seus times depois que a bola começar a rolar no Campeonato Paranaense, invertendo a lógica que caracterizou o futebol local por um longo período. Corinthians-PR e Cianorte abrem a competição amanhã, às 16h40, no Ecoestádio.
Desta vez os cartolas se apressaram para fechar os grupos, facilitando o trabalho dos treinadores. Rubro-negros e tricolores, por exemplo, dão por encerrado o primeiro ciclo de contratações da temporada. A dupla só volta ao mercado em caso de necessidade especial. Ou por uma oferta de ocasião.
Já o Coritiba ainda irá se movimentar. O clube espera entregar ao técnico Ney Franco um lateral-direito e mais um volante Fabinho Capixaba (Palmeiras) e Andrade (Sport) são os favoritos.
O que chama atenção é que o trio precisou de menos nomes para deixar o grupo redondo. Em 2010, "apenas" 18 caras novas apareceram, menor índice dos últimos cinco anos, empatando com a temporada 2008. Porém, ressalte-se, há dois anos o Regional começou no dia 9 de janeiro, estrangulando o período de reformulação.
No ano passado, auge do consumismo no estado, os principais representantes de Curitiba contrataram 25 jogadores, de acordo com levantamento da Gazeta do Povo (veja mais nesta página).
Os times se apegam a duas razões principais para explicar a onda de agilidade: a manutenção da base (com direito a enxerto de novatos) e o dinheiro curto para grandes investimentos.
A provável escalação do Atlético no domingo terá 11 remanescentes de 2009, com destaque para o zagueiro Manoel, revelação do time no Brasileiro. "Contamos com a base, que é forte. Contratamos apenas por necessidade", diz o técnico Antônio Lopes.
Se o Paraná perdeu o trio Zé Carlos, Davi e Rafinha (o último trocou a Vila pelo Alto da Glória), fundamentais na permanência do Tricolor na Série B, por outro lado conseguiu manter Marcelo Toscano, Luís Henrique, Luiz Camargo, João Paulo e Murilo, acabando com a rotina de montar uma equipe a cada campeonato. "Sempre procuramos manter o conjunto, mas, por causa das dificuldades, éramos obrigados a largar do zero. A política da nova diretoria agora é outra", explica César Augusto de Mello, empossado nesta semana como diretor de futebol paranista. "Não queremos encher a prateleira", emenda ele, apesar de o clube ter trazido ao todo 12 atletas para completar o grupo.
Já o Coritiba se sentiu obrigado a se desfazer de parte do elenco. Jogadores caros, como Marcelinho e Carlinhos Paraíba, e promessas, como Pedro Ken, foram liberados para aliviar a folha de pagamento e contornar o orçamento apertado. Não está descartada a negociação de outros atletas "caros", como Édson Bastos e Marcos Aurélio. Mesmo assim, a diretoria trabalhou para manter a espinha dorsal.
"Já tínhamos uma base, com goleiros (Vanderlei e Édson Bastos), zagueiros (Jéci e Pereira), o ataque é o mesmo (Marcos Aurélio e Ariel)... E promovemos dez garotos que são promessas, ainda vamos ver o que eles vão render, mas têm tido ótimos desempenhos nas categorias de base", opina Ernesto Pedroso, integrante da comissão do futebol do G9 (grupo que administra o clube). "Temos de encontrar qualidade com preço dentro das nossas possibilidades. Se tivéssemos carteira, dinheiro sobrando, seria diferente", acrescenta, explicando um pouco a realidade que assombra também os rivais da cidade.



