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Brasileiro

Um clássico em estado de ebulição

Troca de farpas entre dirigentes e briga contra o rebaixamento abrem a semana de Atlético x Paraná

Will Ferrell sem maquiagam | Reprodução G1
Will Ferrell sem maquiagam (Foto: Reprodução G1)

O clássico entre Atlético e Paraná mudou de nome. Ao menos para os presidentes dos dois clubes da capital. Motivados pela rivalidade crescente, os dirigentes que ocupam o topo dos organogramas do Rubro-Negro e do Tricolor não mencionam mais o nome do rival. Se dependesse de João Augusto Fleury e José Carlos de Miranda o confronto de domingo seria tratado apenas como a partida entre o "Time do Fim da Rua" e o "Outro Time da Cidade".

No caso, respectivamente, Atlético x Paraná – ou quase uma decisão antecipada para ver qual dos dois conseguirá se manter na elite do futebol brasileiro. Há algumas rodadas, tricolores e atleticanos se revezam na zona de rebaixamento. Atualmente, é o Paraná quem está lá (17.º), mas o Atlético continua na porta de entrada (16.º).

O péssimo desempenho da dupla foi também o estopim da última intriga envolvendo as agremiações. O caso Batista, no qual o Paraná ainda corre um pequeno risco de punição pelo STJD, foi denunciado pelo Náutico, mas motivado pelo Atlético, que teria fornecido toda a documentação necessária aos pernambucanos.

O Rubro-Negro nega, mas a suspeita fez Miranda reafirmar uma declaração já esquecida, de 2005, na qual considerava "o Coritiba um rival; o Atlético, um inimigo". Ontem, atualizou a opinião: "Mais ainda!", disse.

Fleury é mais comedido. Fala devagar e escolhe bem as palavras. Descarta a inimizade. Em princípio trata a partida como outra qualquer, e pergunta o que o Rubro-Negro teria feito para insatisfação tão grande do adversário direto. No site do clube, no entanto, Timóteo Peçanha, colunista semanal no espaço atleticano, destrincha uma sátira que tem como principal alvo um certo "Professor Mirinda, o Laranja", que assume o erro na inscrição do volante.

Já as rusgas do lado atleticano nasceram em duas frentes: a disputa pelo local da Copa de 2014, na qual o Paraná se coligou à Federação Paranaense de Futebol, e um clássico ainda na primeira fase do Paranaense, na Vila. Lá, os dirigentes rubro-negros assistiram à partida de um dos camarotes da Vila, logo acima da reta do relógio, e acabaram ofendidos pela torcida tricolor. A partir daí, a cúpula do "Fim da Rua" não freqüenta mais o estádio do "Outro Time da Cidade".

Canapés e refrigerantes

A resposta, contudo, virá por meio de um tapa com luvas de pelica. "Lá não tivemos nem lugarzinho, nem lugar nenhum. Mas aqui eles terão tudo o que um estádio como a Arena oferece: camarote, com canapés, refrigerante e segurança na porta", afirma Fleury.

O dirigente cutuca novamente quando fala sobre a carga que será destinada ao adversário: "Será 10% da carga total. Temos de cumprir isso pois fizemos um estádio para abrigar a todos com conforto e segurança. Ao contrário de outros locais onde você tem um círculo no cimento, para as pessoas ficarem de pé, e aquilo ainda é considerado como lugar numerado", diz, numa clara referência à Turma do Amendoim.

Miranda, que exalta suas origens para defender o futebol do estado e talvez tentar a candidatura à presidência da Federação, utiliza a escala da arbitragem – que sairá amanh㠖 para não ficar atrás. Enquanto o Atlético, tradicionalmente, quer um árbitro de fora do estado, o Paraná quer juiz caseiro. E justifica: "Eu sou paranaense. Só digo isso. Vivo e como graças ao meu estado. Não sou gaúcho naturalizado." A última referência é ao presidente do Conselho Deliberativo do rival, Mário Celso Petraglia, natural de Cruzeiro do Sul (RS).

E a semana do clássico só está começando.

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