
Chega um momento em que vencer o próprio limite não é suficiente. É preciso vencer o próprio limite em frentes. É o desafio que faz com que corredores de rua decidam nadar, nadadores queiram pedalar, ciclistas iniciem treinos de corrida. Quando percebem, tornaram-se atletas polivalentes.
Aventurar-se em mais de uma modalidade com moderação resulta em vários benefícios ao esportista. O corpo exercita diferentes grupos musculares, o que melhora o condicionamento físico. A diversidade de exercícios mantém alto o nível de motivação com o exercício, pois diminui o risco de a repetição do treino ficar entediante.
Uma pessoa que corre e começa a pedalar, por exemplo, vê sua capacidade cardiorrespiratória melhorar e suas distâncias na corrida aumentam mais rapidamente. "Pode-se trocar treinos, com grandes ganhos. Em um dia de corrida leve, faz-se uma aula de natação, sem o impacto com o solo. A ideia (de treinos multidisciplinares) é que o corpo não se adapte a um tipo de movimento e continue progredindo", diz o triatleta e coordenador do grupo de corrida da Cia. Atlhetica, Alisson Tracz.
Técnicos e professores de assessorias esportivas concordam que seus atletas estão, cada vez mais, agregando novas atividades. Depois do boom da corrida de rua, dizem que é a vez das provas de duatlo.
Foi o que aconteceu com o dentista Michel Colodi Schnekenberg, 29 anos. Ele optou primeiro pela natação, para se livrar das dores nas costas causadas pela profissão, há cinco anos, quando mal completava 700 metros em uma hora. Animado com o progresso, passou a caminhar e, em seguida, a correr, para perder peso. Daí para comprar uma bicicleta e tornar-se um triatleta amador, bastou a sugestão de seu técnico.
Michel vai fazer seu primeiro Iron Man, em 30 de maio, em Florianópolis (SC). Serão 3,8 km de natação, 180 km pedalando e 42 km na corrida. "Nunca pensei que seria capaz de tanto", diz. Mas ele não pretende seguir carreira como "homem de ferro". "Para a prova, treino oito horas diárias. Família e trabalho ficaram em segundo plano". Depois de cumprir o desafio, pretende reduzir cinco horas de treinamento e voltar a sentir prazer com o esporte.
O mesmo prazer que estimula o gestor de fundo Eduardo Augusto Guedes, 29 anos. Ele treina para corridas de 10 km e 21 km (meia-maratona) há um ano e meio. Ano passado, incluiu pedaladas em trilhas com sua mountain bike na sua vida. "Quero também nadar, mas, por enquanto, estou sem tempo", conta. "O ciclismo é uma atividade mais lúdica, me exercito em meio a belas paisagens. E senti muita diferença na corrida, com mais fôlego", diz.




