
A menos de seis dias do vencimento de mais um prazo dado pela Fifa/CBF para o estado apresentar as garantias financeiras da realização da Copa 2014 em Curitiba, o cenário parece ainda mais obscuro sobre a participação da cidade no evento.
Ontem, em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa para discutir o Projeto de Lei 245/10 (norma que permitiria o aporte financeiro da Companhia Paranaense de Energia Elétrica a Copel na conclusão da Arena), viu-se pouca viabilidade técnica para a ideia prosperar.
Os políticos envolvidos, por exemplo, não deram importância à data-limite para calçar a execução da obra. A votação da iniciativa será apenas no dia 3 de agosto, 14 dias após a exigência protocolar do Comitê 2014.
Diante do impasse, a principal saída exposta envolve uma ação direta do poder público.
"Estamos com um estádio 70% construído. Não podemos perder a Copa. O estado do Paraná, em nome desse benefício, tem moral para aportar diretamente os recursos", alegou o ex-deputado Algaci Túlio, gestor do estado para a Copa.
Aliado do governador Orlando Pessuti (PMDB), ele justificou o uso da máquina dizendo que "economizamos R$ 300 milhões com a multa do Banestado e mais de R$ 2 bilhões em publicidade."
Em relação ao uso da Copel, a tendência é de que a solução caminhe para uma decisão no mesmo sentido.
A origem dos R$ 40 milhões, em detrimento ao atual orçamento anual de publicidade da empresa R$ 3 milhões não foi nem sequer debatida. Tal quatia seria referente à parcela estadual no auxílio ao Atlético (1/3). A parcela da prefeitura (também 1/3) viria dos títulos do potencial construtivo.
"Precisamos aprovar o projeto primeiro. Depois vêm detalhes como valores e prazos", falou Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), autor do projeto de lei.
Para a votação do dia 3 de agosto, desenhou-se, à primeira vista, uma aprovação mas com restrições. A preocupação dos deputados é a possível inconstitucionalidade da ação. Sindicalistas que estiveram na Assembleia disseram ser contra o apoio da Copel, mas foram respondidos por Romanelli: "O estado é majoritário [nas ações da empresa]."
Ademir Bier (PMDB) defendeu a ideia. "A responsabilidade é do governo. Como exigir do Atlético um investimento que beneficiará a todos os paranaenses?"
Para complicar ainda mais a situação, o Atlético trouxe à tona outro problema de ordem monetária: o clube teme que os valores hoje estimados não sejam mais suficientes.
"Falamos [agora] em cerca de R$ 200 milhões [valor 48% maior que o estimado]. São os R$ 120 milhões da obra, com redução de impostos, mais 20% de deságio do projeto de novembro para agora. E o clube terá de arcar com R$ 45 milhões de prejuízo, pelo tempo que ficará sem o estádio", disse Amadeu Geara, diretor fiscal do Rubro-Negro.
O clube, que prometeu arcar com 33% da obra (estimada inicialmente em cerca de R$ 135 milhões), ainda reforçou um apelo: "A Copa é de Curitiba e não do Atlético", disse Glaucio Geara, presidente do Conselho Deliberativo do clube. Marcos Malucelli, presidente atleticano, não compareceu à audiência.
Já o deputado Antonio Anibelli (PMDB) cobrava a construção de uma obra pública. "Eu fui um dos que comprei três cadeiras no Pinheirão. Por que não reformar lá então? Esse nome Arena é maldito, me lembra a ditadura".




