
Bruno Senna x Lucas Di Grassi. Amigos separados pelo desejo de ingressar na principal categoria do automobilismo mundial, a Fórmula 1. O circuito da Catalunha, em Barcelona, na Espanha, acompanhará a partir de amanhã o embate entre os brasileiros por um lugar na Honda. Serão três dias de testes, com duas sessões para cada piloto.
O roteiro prevê um confronto direto e uma disputa mano a mano de cada concorrente com o inglês Jenson Button, já confirmado pela escuderia japonesa para a temporada 2009. O mais veloz garante o cockpit. No caso de um fracasso duplo, aumenta a chance de Rubens Barrichello permanecer na equipe, adiando por mais um ano a aposentadoria.
O pega promete ser dos mais acirrados. Moradores do mesmo prédio na região central de Londres, na Inglaterra, os vizinhos se conhecem bem. O sobrinho de Ayrton Senna tem por característica ser um exímio observador. A favor de Di Grassi pesa a experiência de quem passou por todas etapas antes de bater à porta da F-1.
Neste ano, os dois se enfrentaram na GP2, último degrau antes da categoria principal. Deu Bruno Senna, vice-campeão com 64 pontos, um a mais do que o compatriota. Di Grassi, que, por acumular também o cargo de piloto de testes da Renault (F-1), participou de apenas 14 das 20 etapas. No ranking de vitórias, duas para Senna, três para Di Grassi.
Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo divergem sobre quem é o mais preparado neste momento para guiar um F-1. "A decisão será na pista", resume Reginaldo Leme, comentarista de automobilismo da Rede Globo (leia mais opiniões nesta página).
Nos bastidores, contudo, existe a desconfiança e o temor por parte da ala Di Grassi de que questões políticas possam influenciar na decisão da escuderia. Neste aspecto, a vantagem de Bruno é inegável. A começar pelo sobrenome, um mito dentro da Fórmula 1. No Japão, terra da Honda, Ayrton continua sendo venerado, quase 15 anos após a sua morte. Há, inclusive, um memorial dedicado aos feitos do tricampeão.
Ele levaria também para a nova casa um pool de patrocinadores (Santander, Embratel, Cavalera, Carglass, Hublot e Hilton), o que representa dinheiro em caixa para reorganizar a equipe após o fraco desempenho em 2008.
Existe ainda um terceiro ponto a favor do filho de Viviane Senna: a influência de Gerard Berger, velho amigo e ex-companheiro de Ayrton, encarregado de orientar a carreira de Bruno.
Se a Honda optar por dar um peso maior a questões extrapista, o "Senninha" largou na frente. O que, de certa forma, não seria uma novidade na carreira de Di Grassi. A não efetivação para o ano que vem na Renault, que garantiu a permanência de Nelsinho como titular após o GP do Brasil, no começo do mês, também estaria relacionado à tradição dos Piquet. "É claro que (o sobrenome) sempre ajuda um pouco. Tive de aprender a conviver com isso desde os tempos do Kart. Competia com o Nelsinho Piquet, com o Bruno Senna...", afirmou ele, em entrevista à Rádio Jovem Pan, de São Paulo.
O piloto, no entanto, segue acreditando em uma definição técnica. "A Honda precisa de resultado para crescer. Vão escolher o melhor, tenho certeza."
Alheio a qualquer tema que não seja carro/pista/velocidade, Bruno espera garantir o assento na base do talento. "Confio na minha capacidade. Quero mostrar à Honda que mereço a oportunidade", crava, demonstrando a mesma autoconfiança do tio famoso.




