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Cotidiano

Vizinhos vivem ‘distantes’ de estádio da Copa

Rotina simples dos moradores do entorno do Castelão não foi afetada pelo projeto 2014. E, segundo eles, nem será

O comerciante Claubenir Silva em frente ao seu humilde restaurante próximo ao Castelão | Marcelo Andrade, enviado especial a Fortaleza/ Gazeta do Povo
O comerciante Claubenir Silva em frente ao seu humilde restaurante próximo ao Castelão (Foto: Marcelo Andrade, enviado especial a Fortaleza/ Gazeta do Povo)
O irmão de Maria Solange de Araújo, Marcos, na residência/bar com vista para o estádio |

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O irmão de Maria Solange de Araújo, Marcos, na residência/bar com vista para o estádio

No acesso ao novo Castelão, o contraste salta aos olhos. Lá na frente, o imponente estádio que receberá três jogos da Copa das Confederações de 2013 e seis da Copa do Mundo de 2014. Na margem da Avenida Alberto Craveiro, construções pobres emendadas umas às outras, um comércio humilde e moradores completamente distantes dos eventos da Fifa – tanto na falta de esperança de ter condições financeiras para comprar um ingresso como na falta de perspectivas de ganhar algo com o evento – apesar de tudo acontecer ali tão perto.

"Para a gente, acho que vai continuar tudo a mesma coisa. Vai ter só uma revolução temporária, depois a vida segue igual", diz Claubenir Silva, que acabou de transformar seu bar a poucos metros do estádio em um restaurante. Nada a ver com a Copa. O plano é vender refeições para quem mora ou trabalha por perto, como deixa claro o preço do almoço: R$ 4,90.

"Nosso dia a dia não depende do estádio. Estão fazendo obras, como o alargamento das ruas, mas com o passar do tempo vai ficar tudo igual", concorda Maria Solange de Araújo, que na mesma construção onde mora com a família toca um bar meio escondido, sem letreiro nem nada, o último comércio antes da esquina do Castelão.

Os dois não abriram as por­­tas no dia 16 de dezembro, data da inauguração da nova arena. "Já trabalho a semana inteira. Abrir no domingo também não dá...", justifica Claubenir. Também não perceberam a passagem da comitiva da presidente Dilma Rousseff. Ele estava no estádio, esperando a cerimônia de abertura e o show do cantor Fagner – incomodado com a falta de conforto nas imediações do palco montado de lado de fora, não teve paciência para esperar e foi embora. Ela nem com a festa gratuita se motivou. "Fiquei descansando em casa", conta.

Vivendo e trabalhando de forma simples, os dois não se preocupam com a informação de que a Lei Geral da Copa, a pedido da Fifa, cria uma área de restrição que abrange seus estabelecimentos. Não poderão, por exemplo, fazer propaganda de empresas concorrentes de patrocinadores da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. "Nem tenho isso mesmo. A única coisa que coloquei aqui foi essa faixa", fala Claubenir, apontando para a inscrição "Promoção de inauguração: almoço a R$ 4,90".

O comerciante só ficou preocupado com o rumor de que não poderia abrir nos dias de jogos. Com o esclarecimento de que poderá trabalhar normalmente, ficou mais tranquilo. "Aí tudo bem, senão teriam de nos compensar".

Tanto ele como Maria So­lange não planejam ver jogos das seleções que passarão pelo Castelão. "Vai ser muito caro", refutam de imediato.

A conversa com o pessoal da região só muda quando o assunto são os times locais, algo bem mais próximo da rotina deles. Então o discurso inflama. Como na entrada do Castelão no dia da abertura. "Ficou bonito é pro meu Vozão dar uma coça no Fortaleza", falava alto um senhor vestido com a camisa 10 alvinegra no meio da aglomeração. "É nada, isso aqui foi feito é pro Tricolor surrar o Ceará", respondia um rapaz de azul, vermelho e branco alguns metros ao lado.

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