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Ciclismo

Volta da França segue distante de brasileiros

 | Bodgan Cristel/Reuters
(Foto: Bodgan Cristel/Reuters)

Na manhã de hoje, será definido se o título da 97.ª Volta da França fica com o espanhol Alberto Contator ou com o luxemburguês Andy Schleck, na última das 20 etapas da principal competição do ciclismo de estrada do mundo.

No Brasil, porém, o evento esportivo anual mais assistido pelo planeta ainda tem um público pequeno. A falta de representantes do país na prova é um dos fatores que fazem com que a Volta da França não ganhe mais popularidade por aqui.

Na opinião do ciclista pa­­ranaense Luciano Pa­­gliarini, um dos poucos brasileiros a disputá-la (em 2001, 2002 e 2005), a prova que reúne os melhores entre os melhores ainda está longe de ter uma equipe brasileira entre as 22 participantes.

"O funil é muito grande. Não há uma que cumpra todos os requisitos para estar lá. Um exemplo é a equipe em que estou, de São José dos Campos: tem boa credencial profissional, que está sendo perdida especialmente por causa do técnico José Carlos Monteiro [o Car­­li­­nhos]. Ele enrola todo mundo, não paga os salários. Sus­­peita-se até que ele fica com o dinheiro que recebe dos patrocinadores", desabafa.

Criada em 2004, a Scott/Marcondes Cesar/São José dos Campos é um dos melhores times de ciclismo do país: ocupa o 3.º lugar no ranking nacional e o 4.º lugar entre os melhores times das Amé­­ricas. O investimento anual no grupo é de R$ 2,5 milhões.

Procurado pela Gazeta do Povo, Carlinhos afirmou que os pagamentos estão em dia e que as dívidas foram atraso de repasse de um patrocinador. "Estamos negociando com outro", disse.

Pagliarini afirma que chegou a ficar sem receber três salários. O pagamento de um deles só foi efetuado quando o ciclista decidiu protestar publicamente, ao não disputar o Campeonato Brasileiro, no fim de junho. "E entrei com um processo na UCI (União Internacional de Ciclis­­mo)", conta.

O sócio-proprietário da construtora Marcondes Filho, patrocinadora majoritária da equipe, Frederico Marcondes Filho, afirmou na última quinta-feira que no dia anterior Carlinhos pediu, por telefone, a antecipação de pagamentos.

"Não concordei. Ele me disse que estava numa situação difícil, tinha pego um dinheiro emprestado. O que tenho de re­­passar está em dia e é ele quem gerencia a equipe", afirmou. O empresário diz-se preocupado com a vinculação das dívidas ao nome da empresa. "Estou numa posição de pensar se vale a pena manter o investimento", completa.

Um dos mecânicos do time e da seleção brasileira, Evandro de Oliveira, conta que tem dois salários em atraso, situação que vem desde o início do seu contrato (nunca assinado, destaca), no final de 2009. "Achei que tinha recebido uma boa proposta, mas foi só enrolação. Estou trabalhando por conta, faço uns carretos, trabalho para outras equipes", fala o me­­cânico, responsável pelos ajustes de bicicletas de atletas brasileiros nas Olimpíadas de 1996, 2004 e 2008.

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