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“Eu não tenho dúvida de que o Paraná é o estado mais inovador do Brasil, principalmente na área acadêmica”. Assim, Marcelo Rangel, superintendente de inovação do Paraná, define o estado entre os principais polos de inovação do país. Rangel, ex-prefeito de Ponta Grossa e ex-deputado estadual, assumiu a superintendência de inovação do Paraná em junho deste ano.

Em entrevista exclusiva ao GazzConecta, Marcelo enfatiza que suas principais missões como líder da superintendência é integrar governo e iniciativa privada em benefício da educação. Entre os objetivos da sua gestão está a inclusão do ensino sobre tecnologia na grade das escolas públicas, iniciativa que deve ser viabilizada ao lado da secretaria da educação.

Para Marcelo, inovação é o ato de executar tarefas ou propor soluções diferenciadas, resolvendo problemas através do uso de tecnologias, mas não necessariamente. O Paraná tem apresentado bons números quando o assunto é disrupção. Curitiba figura, por exemplo, como a segunda cidade brasileira com o melhor ecossistema para startups de acordo com o ranking de inovação produzido pelo Startup Ecosystem Index Report 2021. Já o Paraná foi indicado pela Urban Systems como o segundo estado com mais cidades inteligentes do Brasil, atrás apenas de São Paulo.

Entre os planos do superintendente está a integração entre governo e iniciativa privada para fomento do empreendedorismo, além da inserção de conteúdos ligados à tecnologia no ensino básico das escolas paranaenses como método para incentivar a capacitação e o desenvolvimento de mão de obra voltada ao setor.

Marcelo Rangel foi entrevistado com exclusividade pelo GazzConecta. Confira!

GazzConecta: Além de advogado, radialista e chefe de inovação no estado, quem é Marcelo Rangel?
Marcelo Rangel é um sonhador. Eu trabalhei em rádio, como DJ, mas trabalhar com inovação é ser disruptivo inclusive nas atitudes. Eu sonhava em trabalhar na vida pública, com os jovens, e então fui um dos mais votados candidatos estaduais. Após dois mandatos na Assembleia do Paraná, me candidatei a prefeito de Ponta Grossa, sempre querendo fazer algo diferente no poder executivo. Acredito que eu fui vitorioso nesse sentido. Muitas coisas nós conseguimos mudar da velha política, mas ainda temos muito a fazer.

inovação
Marcelo Rangel, superintendente de inovação do Paraná

O que é inovação para você?
A inovação é solução, a vontade de solucionar algo. Inovar é mudar conceitos e ser diferente. Inovador é estar na vanguarda, ter coragem, empreender, acreditar nos seus propósitos e ter empolgação. A inovação acontece também em espaços de compartilhamento de ideias. Hoje, busco “sair da caixinha” para tentar coisas novas para o nosso planeta e nosso país.

O Paraná é o segundo estado com mais cidades inteligentes do Brasil e já recebeu diversos prêmios relacionados à inovação. Quais são os objetivos para essa área na sua gestão?
Primeiro, parabéns ao Paraná, principalmente às grandes cidades, e também ao interior, pelo fato de adotarem sistemas inovadores e alterarem o que normalmente acontece nas cidades. Quando queremos integrar algo diferente ao serviço público, a burocracia impede que seja rápido, e isso é um problema para quem trabalha com a inovação, pois ela tem timing.

Segundo, os prefeitos precisam ser modernos, com vontade de fazer algo novo pela sua cidade, facilitar a vida dos cidadãos usando agilidade e desburocratização. Quando você muda a rotina, cria também outras oportunidades. O Paraná está muito bem neste sentido e eu não tenho dúvida de que é o estado mais inovador do Brasil, principalmente na área acadêmica. Nós recebemos a notícia que as universidades do Paraná, principalmente as Universidades Estaduais de Londrina, Maringá, Ponta Grossa e a UNIOESTE, superaram inclusive a Unicamp e USP e estão entre as academias mais inovadoras do mundo.

Também pretendo oferecer oportunidades aos jovens, melhores oportunidades para as próximas gerações. Só conseguimos isso através da educação e da qualificação. Não existe inovação sem educação, sem a vontade de mudar o mundo. Este objetivo integra a educação, a saúde e todas as áreas. Quem não tem inovação na sua empresa precisa se preocupar, quem não é inovador vai ser ultrapassado por quem é. Meu sonho é que, aliados à inovação, os jovens tenham oportunidades que nós não tivemos.

As universidades, o governo e a iniciativa privada são a tríplice hélice que move essa inovação. Recentemente, a Superintendência lançou o Prêmio Empresa Inovadora, que premia e faz um diagnóstico de inovação para empresas do estado. Como a superintendência está trabalhando para promover e incentivar a digitalização dos negócios?
O propósito é unificar, trazer a união das macrorregiões do Paraná, muito desenvolvidas, e também trazer empresas, startups, todos os hubs e ecossistemas de inovação para uma grande competição, para que todo mundo participe desse compartilhamento de ideias.
A premiação de uma empresa inovadora acaba também levando o exemplo para outras empresas e contagia os paranaenses neste tema. A inovação precisa ter empolgação, e todos precisam saber que a inovação é simples. Todo momento na superintendência, o nosso objetivo é trazer a inovação mais democrática.

As linguagens deste setor são muitas vezes acadêmicas e de difícil compreensão, e a superintendência precisa tornar isso popular, pois a inovação está em todos os setores. O prêmio Empresa Inovadora quer fazer com que as empresas com reconhecimento mostrem seus produtos para todos os paranaenses.

Na sua opinião, qual o maior desafio da superintendência hoje ao levar a inovação para os quatro cantos do estado?
Não existe inovação se não tiver comunicação e produto final. A inovação existe no momento em que se tira nota fiscal, em que existe empreendedorismo e que aquele produto tem mercado. Se ela ainda não é vendida, a inovação é uma ideia. Passar da área acadêmica na idealização e desse trabalho de base na área de inovação até o mercado é o grande desafio da superintendência e do Governo do Paraná hoje. É preciso explicar que aquele produto, que muitas vezes passa por um estudo muito técnico para ser elaborado, é uma solução que todos conhecem e pode acabar mudando a vida dos paranaenses.

| Rodrigo Pierrot/ Gazeta do Povo

Como o governo se relaciona com os ecossistemas de inovação que estão em ebulição em todo o estado, como Pato Branco e Toledo? Está nos planos chamar estes hubs para a conversa? É uma ideia da sua gestão usar a inovação aberta para resolver problemas da porta para dentro do Governo?
Normalmente, a iniciativa privada é responsável por 95% de tudo que se produz na área de inovação. O Governo precisa ser fomentador, abrir as portas e unir os pontos da inovação. O maior problema da inovação é que hoje nós temos poucos técnicos, poucos operadores de sistemas e programadores, eles estão sendo procurados com salários altíssimos. Precisamos qualificá-los desde os primeiros anos de ensino até nas universidades.

Trazendo a qualificação, teremos mais empresas, mais startups e mais oportunidades de trabalhar a inovação. O Governo está diretamente ligado à academia e às universidades. Temos prêmios internacionais que mostram como o Paraná está fazendo seu bom papel na área de inovação. Nós estamos buscando, através da superintendência, fazer uma espécie de pré-vestibular para o empreendedorismo. Nas universidades, as pessoas não aprendem a empreender, aprendem a produzir, mas na hora de entrar no mercado, tudo é mais complicado. Nós queremos, através do Governo, pegar aquele produto das universidades e ensinar a vender e precificar.

Um dos grandes motores da economia paranaense é o agronegócio. Como a superintendência leva essas inovações e mais tecnologia também para o campo?
No agro a inovação é ainda mais disruptiva. Uma colheitadeira conectada pode produzir quatro vezes mais do que uma que não está conectada. Por isso, o desafio do Governo é levar torres e conectividade para o campo, para ter o estado todo conectado à internet, para que, dessa maneira, possamos ter mais produtividade. A inovação também está na pesquisa. No genoma, nós temos muitas coisas ligadas à inovação no agro.

A pandemia trouxe mudanças de mentalidade para o governo?
Vamos tentar falar do ponto positivo e da mudança de hábitos que essa terrível doença trouxe para a população. Muitas empresas não trabalhavam sequer com delivery. Hoje, praticamente todas as empresas estão trabalhando de forma digital. Isso forçou que o empresário buscasse também a solução naquele momento que estava passando dificuldades. A inovação também atua na dor.

No setor governamental é tudo mais complicado, pois há burocracias para tudo e processos licitatórios, longos e demorados. Por isso, no Paraná, estamos focados na lei do Sandbox, uma espécie de laboratório para oferecer para aquele determinado governo algo diferente. Estamos com uma lei na assembleia legislativa que pode tornar o Paraná o primeiro estado do Brasil com essa legislação de teste. Se aprovada, o estado pode receber investimentos milionários de grandes empresas da área da inovação, que vão nos escolher para testar seus produtos.

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