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Após câncer avançado e três transplantes, publicitário palestra sobre doação de órgãos

Alexandre Barroso passou quatro anos internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde passou por 11 cirurgias, duas angioplastias, entrou em coma 20 vezes e recebeu os transplantes

  • Folhapress
Barroso: 11 cirurgias, duas angioplastias, 20 vezes em coma e  três transplantes | Reprodução/Youtube
Barroso: 11 cirurgias, duas angioplastias, 20 vezes em coma e  três transplantes Reprodução/Youtube
 
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Alexandre Barroso, 59, publicitário paulista, pai de três filhos, já viu a morte de perto várias vezes. Mas agora está firme e forte, rodando o Brasil como voluntário para incentivar as pessoas a doarem órgãos.

Receptor de três transplantes (duas vezes de fígado e uma de rim), ele lança o livro "A última vez que morri - Uma história real sobre vida, morte e renascimento" (Expressão & Arte Editora, 192 páginas).

Ao entregar o livro à reportagem, antes de uma palestra no Hospital Mario Covas, em Santo André, na Grande SP, o sobrevivente estava animado com a vida nova: "Agora, eu não morro nunca mais...".

Por uma hora e meia, diante de plateia de 150 pessoas, entre médicos, professores, transplantadores e transplantados, emocionou-se e também arrancou risadas ao falar dos quatro anos internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde passou por 11 cirurgias, duas angioplastias, entrou em coma 20 vezes e recebeu os três transplantes.

"Tudo feito de graça, sem gastar um tostão. Foi tudo custeado pelo SUS [Sistema Único de Saúde], que é mesmo único no mundo."

Por gratidão ao SUS, aos doadores e aos profissionais que cuidaram dele, Barroso fez do voluntariado em hospitais e escolas sua principal atividade para falar da importância da doação de órgãos.

Fila de 35 mil pacientes

A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), que reúne Latam, Gol, Azul e Avianca, fornece as passagens para Barroso e sua atual mulher, Marcela Ananda, viajarem pelo país. Para ganhar a vida, ele presta consultoria em mídia digital a empresas.

No Sistema Nacional de Transplantes, há uma fila de 35 mil pacientes. Têm preferência os casos mais graves, por ordem de entrada na fila.

Não podem ser levados em conta raça, sexo e situação econômica dos receptores.

De janeiro a junho, as quatro companhias áreas envolvidas no programa "Asas do Bem" já transportaram gratuitamente 4.424 itens, entre órgãos, tecidos e equipes em 2.241 voos. No ano passado, foram 9.160 itens, em 4.798 voos.

Para se ter uma ideia da complexa logística envolvida nos transplantes, em cada caso são mobilizados cerca de 150 profissionais de saúde e de transporte. Entre a retirada do órgão do doador e a chegada ao receptor, a operação precisa ser concluída em no máximo quatro horas.

A primeira morte

Há dez anos, profissional bem-sucedido, com passagem por grandes agências, Barroso levava uma vida tranquila, em seu sítio de São Roque (SP), quando foi diagnosticado o câncer no fígado, em estado avançado.

Passou dois dias em estado de choque, chorando. No dia em que saiu do coma pela primeira vez, sofreu outro baque. A mulher, com quem estava casado havia 25 anos, pegou a filha Vitória, que tinha sete, e foi-se embora para a casa dos pais, em Porto Alegre.

"Ela optou por não ficar comigo para não me ver morrer. Entrou em depressão profunda, não aguentou a barra. Às vezes, parentes próximos precisam mais de psicólogos do que a pessoa que está morrendo", afirma.

Sem poder trabalhar e sem família por perto, esperou dois anos pelo transplante de fígado, que não deu certo, pois provocou problemas nos rins. Voltou para a fila.

A segunda vida

Quem salvou sua vida, um ano depois, foi uma jovem doadora que tinha fígado e rim compatíveis para o transplante duplo. Deu certo até hoje.

Melhor ainda: durante a recuperação, Barroso conheceu Marcela Ananda, uma voluntária, formada em Londrina (PR). Marcela era viúva de um transplantado e auxiliava pacientes na volta para casa.

Os dois não se largaram mais e continuam apaixonados, embora Barroso more com o filho mais velho em Fortaleza (CE), para fugir do frio, e Marcela, em Londrina. "Agora só vivo onde é bom. Vou para onde está o sol."

Entre uma viagem e outra, os dois se encontram em São Roque e, há dois anos, planejam morar num veleiro. Por enquanto, treinam em Parati (RJ), em barcos emprestados, enquanto planejam comprar um e zarpar pelo mundo.

"Quem aqui acredita em vida depois da morte?", pergunta Barroso, para animar a plateia logo no início da palestra.

"Não falo da vida espiritual, cada um segue sua religião. Falo da vida física mesmo. Constatada a morte encefálica de um paciente, ele se torna um potencial doador se a família autorizar. A dor da perda pode se transformar em esperança para famílias de receptores, e assim a vida segue em outra pessoa. Fui salvo três vezes assim. Doar órgãos é dar continuidade à vida."

Salto acrobático em Nova York

Neste mês, no "Setembro Verde", campanha pela doação de órgãos, ele e Marcela já se preparam para uma maratona por diferentes capitais.

Em sua última "quase morte", passou três dias em coma, entubado e sem poder se mexer. Só via tudo escuro e não tinha como se comunicar. Quando conseguiu mover a mão, a enfermeira levou caneta e papel, em que ele escreveu: "Estou vivo, por**!".

Assim que teve alta, viajou para Nova York. Lá, deu um salto acrobático em frente à estátua da Liberdade, imagem que está na capa do seu livro e lhe arrancou alguns dos 450 pontos de cirurgias que carrega no peito e no abdômen.

Em nada esta foto lembra a da contracapa, onde aparece com apenas 35 kg e um cateter, na piscina, tentando ensinar a filha pequena a nadar.

Este ano, agora com 17, Vitória voltou a morar com ele, e Barroso pesa 82 kg, como antes do primeiro transplante. Vida que segue.

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